Wesley Goggi assume desafio na saúde pública metropolitana

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Acompanhe na integra a entrevista com Wesley Goggi secretário executivo da saúde metropolitana. Ele fala de vários assuntos em sua área de atuação:  

O senhor foi nomeado em março, pelo governador Paulo Hartung, para o cargo de assessor especial da Secretaria de Saúde. Apenas um mês depois, você assume outra função: a de secretário executivo da saúde metropolitana. Como se deu essa transição e qual a diferença entre os cargos?

Agradeço ao governador Paulo Hartung, pela oportunidade em poder servir o Governo do Estado do Espírito Santo, que o considero um homem público de trajetória exemplar e que tem ensinado ao Brasil o que é gerir com responsabilidade, competência e transparência os recursos públicos.

Deixe-me dizer também da satisfação em conviver novamente com o Secretário de Estado da Saúde Ricardo de Oliveira, de reconhecida competência e espírito público. Continuo atuando diretamente na assessoria do Secretário, porém com um foco na articulação, supervisão e coordenação das demandas da Região Metropolitana.

Temos desafios que só serão solucionados com a participação da sociedade, ações integradas entre as Prefeituras e o Governo Estadual. Como Secretário Executivo vou me empenhar nos estudos, debates e encaminhamentos de soluções para a superação dos desafios que travam a qualidade de vida da nossa população.

– Historicamente, a saúde pública do Brasil sofre com diversas carências e queixas pela maioria, quase que absoluta, da população. Qual a sua maior missão ao assumir esta função e como o senhor poderá contribuir para melhorar esta área para os capixabas?

Mesmo em tempo de crise, podemos inovar e criar melhores condições para o desenvolvimento do SUS, priorizando a regionalização dos serviços da atenção básica até hospitalar, respeitando a localização e urgência do atendimento dos pacientes. Não existem receitas, mesmo as melhores práticas se tornam obsoletas em tempos de rápidas transformações. Precisamos visualizar caminhos inéditos e sob medida, nos reinventar na direção de um futuro bem diferente.

– Já existem projetos sendo desenvolvidos e que devam ser colocados em prática em um curto espaço de tempo?

Vamos criar o Centro de Comando, Informações e Decisões Estratégicas em Saúde, que tem por objetivo enfrentar os desafios do sistema de saúde, subsidiando a tomada de decisões estratégicas, para obter bons resultados para a população. Planejamento e decisões racionais, priorizando este ou aquele tipo de ação, com maior efetividade e eficiência no uso dos recursos existentes do setor para a promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde. Estas decisões devem ser tomadas com base em informações abrangentes, confiáveis e atualizadas. Para isto estamos criando o Centro de Comando que lhe falei.

Já tivemos uma primeira reunião com os Secretários Municipais de Saúde (Vitória/Vila Velha/Cariacica/Serra/Viana) e vamos nos reunir periodicamente para discutir os problemas e encontrar soluções.

– Recentemente, o senhor esteve em Goiás com a finalidade de conhecer programas locais voltados para a área da Saúde. Existe uma intenção de implementar aqui iniciativas bem-sucedidas feitas por outros Estados?

Entro para o time da saúde com experiência e novas idéias. Inovação, vanguarda e criatividade radical são minhas palavras de ordem. Soluções fora da caixa, em busca do inédito com coragem de entrar em campos ainda não explorados, com ousadia para fazer face a “equações impossíveis”.

– Circulou nos bastidores políticos que a sua saída do comando do PSDB de Vitória não foi tranqüila e que alguns integrantes da sigla estariam descontentes com a sua nomeação no governo do Estado. A sua relação com o partido ficou abalada após deixar a presidência?

Prefiro sempre discutir idéias e não pessoas. Por exemplo: instituir lista fechada, no atual contexto, é livrar do crivo popular políticos envolvidos em corrupção. A perda de vitalidade de ideologias políticas, o enfraquecimento dos poderes legislativo ante o poder executivo, a burocratização das legendas e personalização da política, nos faz começar a pensar no que muitos afirmam ser impossível, ou seja, conceber a democracia representativa moderna sem os partidos.

O partido político deixou de ser uma ferramenta de mudança desde o momento em que o atual estado das coisas o serve muito bem. O mundo tem inovado na forma de se exercer a política sem a necessidade dos partidos.

Tenho um olhar além da esquerda e da direita. Não se pode afirmar que “a esquerda e a direita morreram”, pois a maior parte do debate político ainda ocorre entre esses dois pólos. Porém, nenhuma delas apresenta propostas viáveis.

A economia de esquerda é inadequada. Seu modelo de administração centralizada não tem lugar no mundo atual. As crenças políticas da direita, por outro lado, são incoerentes. Ao mesmo tempo em que abraçam o fundamentalismo mercadológico, desejam preservar símbolos e instituições tradicionais, como a família ou a pátria.

O mercado fomenta um comportamento individualista que destrói as bases da família ou, pelo menos, leva as pessoas a experimentar novos modelos de relacionamento. O mercado global desfaz as fronteiras nacionais.

Em outras palavras, a direita simplesmente não pode ter o que deseja: tradição e mudança ao mesmo tempo. Com coragem, podemos reverenciar nossa história e construir sociedades social-democráticas para o século 21.

Não acredito em verdadeiras transformações sociais sem ousadia, por isso é bem provável que eu tenha agradado a muitos e desagradado a alguns. É da política.