Violência em Jaguaré: Prefeito faz “vista grossa” diante da criminalidade no município.

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Prefeito de Jaguaré, Rogério Feitani
Prefeito de Jaguaré, Rogério Feitani

A situação de segurança em Jaguaré é preocupante, pois nada foi feito ainda para amenizar a situação de terror, de violência e de insegurança que vive a população da cidade e do interior.

O Vereador Francisco Santiago voltou a solicitar ao prefeito e ao secretário de segurança uma audiência pública para tratar do assunto com a comunidade e autoridades municipais e estaduais.

Em maio passado foi realizada uma audiência na Câmara Municipal para discutir o tema, mas não surtiu efeito porque nem o Prefeito, nem os secretários municipais estiveram presentes.

O encontro foi praticamente esvaziado, deixando preocupados os Deputados Estaduais Euclério Sampaio, Gilsinho Lopes e Gildevan Fernandes que compareceram para discutir o assunto com a comunidade e autoridades de Jaguaré. Revoltadas, lideranças da comunidade de Jiral que estiveram presentes chegaram a dizer que estão se reunindo para fazer justiça com as próprias mãos.

Estão juntando recursos para comprar um carro e armas para em mutirão defender as famílias e suas propriedades. É profundamente lamentável o descaso do Secretário Municipal de Segurança e do Prefeito frente a um problema tão sério que a população vem enfrentando sem ter a quem recorrer.

Francisco Santiago, vereador de Jaguaré
Francisco Santiago, vereador de Jaguaré

Um novo requerimento para debater a escalada de violência em Jaguaré, foi feito na sessão do dia 17 de agosto de 2015 e encaminhado ao Prefeito Rogério Feitani e ao Secretário Municipal de Cidadania e Segurança Pública Paulo Nunes Queiroz, solicitando a realização de uma Audiência Pública presidida pelo Prefeito, para que de forma precisa e ampla, “possamos debater e avaliar todas as questões que envolvem a Segurança Pública do Município de Jaguaré”. E justifica o Vereador:

“Precisamos nos unir na busca de alternativas para o combate à violência que vem tirando a vida de pessoas de bem e colocando em risco a liberdade e o direito de ir e vir das famílias de nosso município. Não podemos ficar parados diante das ações de violência que vêm acontecendo no nosso Município, principalmente nos últimos dias. Precisamos de ações concretas urgentes. Por isso, a importância de ampliar essa discussão, para que juntos possamos buscar as melhores alternativas”, encerra o vereador.

O vereador está decepcionado com a administração atual, pois ele até o presente momento não recebeu resposta do poder executivo sobre o assunto. Enquanto prefeito se cala, a criminalidade corre em uma velocidade enorme e o povo não sabe o caminho a seguir para que Jaguaré volte a ter paz e tranquilidade.

Câmeras de Vídeo em Jaguaré

Comissão de Segurança Pública da ALES, não deu resultado em Jaguaré
Comissão de Segurança Pública da ALES, não surtiu efeito em Jaguaré

Muitos moradores reclamam que as câmeras de vídeo-monitoramento não estão funcionando, enquanto nega o Secretário Municipal de Cidadania e Segurança Pública. Esse é um impasse que deve ser resolvido. E para tirar essa dúvida é preciso que se faça uma vistoria nas câmeras de vídeo monitoramento, que foram adquiridas para funcionar 24 horas.

O que se sabe é que até o momento, nenhuma ocorrência foi registrada pelo equipamento, apesar da violência vivida na cidade. A única informação é que as pessoas responsáveis pelo acompanhamento das imagens destas câmeras não trabalham a noite, nos finais de semana e feriados. Mas, segundo o secretário, as câmeras ficam ligadas e captando imagens 24 horas.

Comissão de segurança da Assembleia foi a Jaguaré, mas não deu em nada.

         Os moradores revoltados com a insegurança que tomou conta do município nos últimos meses pediram um basta nos altos índices de violência registrados, durante audiência pública da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa realizada no dia 7 de maio de 2015 em Jaguaré.

O município tem uma população estimada em 25 mil habitantes, e para se ter noção de como a violência anda a passos largos foram registrados 27 assassinatos na localidade em 2014, o que coloca Jaguaré na condição de 13º lugar mais perigoso de se morar no Espírito Santo.

Durante a audiência, foi denunciado que a viatura da PM que realizava a patrulha da comunidade deixou de funcionar. Na zona rural a situação também é preocupante, pois o patrulhamento que ocorria diariamente, só está sendo feito agora três vezes por semana.

De acordo com o deputado Gilsinho Lopes (PR), membro efetivo da Comissão de Segurança, dezenas de viaturas policiais estão paradas nos pátios das delegacias e dos quartéis da PM em todo o Estado por falta de combustível como resultado de cortes realizados no orçamento pelo governador Paulo Hartung.

Conforme o parlamentar, no 23º Batalhão de São Mateus (que atende Jaguaré) tem 20 patrulhas paradas. “Isso é inadmissível”, condenou. Com falta de policiamento, o crime está aumentando cada vez mais no município de Jaguaré, segundo as denúncias feitas durante a audiência pública.

O contador Valter Grobério relatou que há poucos dias um cadeirante foi assaltado dentro de casa. “Ele (o cadeirante) estava sozinho. Colocaram arma na cabeça dele. Os bandidos estão invadindo as casas, amarrando e surrando as pessoas”, denunciou.

O lavrador Max Correa cobrou criação de empregos e implantação de programas de esportes e lazer para os jovens de Jaguaré. “Aqui só tem duas opções de emprego: na prefeitura ou na roça. E não há opção de uma vida mais saudável com a prática de esportes. Por isso, muitos jovens estão indo para o crime”, afirmou.

Durante a audiência, Gilsinho Lopes e o presidente da Comissão de Segurança, deputado Euclério Sampaio (PDT) criticaram as ausências do prefeito de Jaguaré, Rogério Feitani, dos delegados da Polícia Civil, do juiz e da promotora que atendem o município.

“Eles deviam estar aqui”, cobrou Euclério. “Vou pedir ao Ministério Público para averiguar a situação de Jaguaré. Onde estão essas autoridades?”, questionou Gilsinho.

O presidente da Câmara Municipal de Jaguaré, Elizeu Ribeiro de Souza, também lamentou a ausência das autoridades. “A presença deles seria muito importante, pois a comunidade está muito preocupada com a criminalidade e quer uma solução urgente para esse problema”, disse.

O líder do governo, Gildevan Fernandes (PV) também participou da audiência pública. “Foi um encontro importante e vamos dar encaminhamento a tudo o que foi solicitado aqui”, prometeu.

No final do encontro, os representantes da Ales anunciaram que vão realizar um encontro com o secretário de Estado da Segurança Pública, André Garcia, para solicitar a volta do patrulhamento normal em Jaguaré, que depende da suspensão do corte no fornecimento de combustível para as viaturas policiais.

Os deputados se comprometeram também em cobrar do Poder Executivo, a implementação de programas de inclusão social para que os jovens sejam menos vulneráveis ao crime.

Cerca de 100 pessoas compareceram a audiência em Jaguaré. No encontro também estiveram presentes o Padre Belmiro Ohresorge, o Tenente Coronel PM Alex de Almeida, comandante da PM em São Mateus e Jaguaré  e do Capitão PM Herivelton Amaral que é comandante da Companhia da PM em Jaguaré.