Vereadores repudiam ausência da Cesan em sessão especial na ALES

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DSC05365A 4ª Sessão Especial com os Vereadores do Estado, realizada ontem, dia 18 de fevereiro à tarde, na Assembleia Legislativa, terminou com a confecção de uma carta de repúdio à Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).

A frustação tomou conta da maioria dos vereadores, pois a empresa, assim como a Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), que tinham confirmado o envio de representantes, acabaram cancelando a presença na véspera do encontro.

“Tínhamos aprovado a vinda deles em nosso último encontro para dar explicações aos vereadores, mas eles não vieram, não sei foi por uma ordem da Cesan ou do governador. A Cesan vai privatizar 49% de suas ações, lógico que daqui alguns anos vai privatizar tudo.

Peço desculpa por eles terem se negado a vir”, lamentou o organizador da sessão especial, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD). Também participou da reunião o deputado Doutor Hércules (PMDB), que ressaltou a importância dos vereadores dentro do sistema político brasileiro.

“É o político mais importante do País, o que mais trabalha e o primeiro que apanha. Reconhecemos os trabalhos dos senhores”, destacou. Mesmo sem a presença dos representantes para dar as respostas às demandas dos vereadores, a reunião prosseguiu com os parlamentares falando da tribuna da Casa os problemas de seus municípios e cobrando soluções.

“Estamos decepcionados com a Cesan. Ela não vem cumprindo os contratos. Temos obras paralisadas e a população não tem informação a respeito”, comentou Idaulio Bonomo (PSD) de Nova Venécia.

O vereador Carlim da Dengue (PROS), de Barra de São Francisco, disse que o município havia sido esquecido pela Cesan. “Eu já sabia que estes covardes não viriam aqui com medo da verdade. Em 1967 ela começou a captar água e está do mesmo jeito até hoje.

Com a crise hídrica recente ela mandou a polícia ambiental multar e encaminhar para o fórum quem tentava captar água”, afirmou. Ele ainda disse que a Câmara entrou com uma ação coletiva contra a empresa em virtude do péssimo serviço oferecido. João Luiz Coser (PPS), também de Barra de São Francisco, informou que o município teria firmado em 2001 um contrato com duração de 25 anos com a Cesan, mas eles não conseguiam ter acesso ao contato nem ao aditivo.

“A Câmara tem procurado saber que acordo foi esse. Temos esgoto a céu aberto, ruas cavadas e eles não consertam. Deixo minha indignação e repúdio à Cesan”, disparou. Enivaldo prometeu ajudar os vereadores a terem acesso ao contrato. A situação em Pancas também foi discutida no encontro.

O vereador José Carlos Prata (PSDB) falou que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) havia repassado quase R$ 13 milhões para ser investido em saneamento básico, mas que as obras não foram concluídas

“A prefeitura passou para a Cesan, que terceirizou as obras para a empresa Samon e ela não cumpriu nem 30% do contrato”, denunciou. “Rasgaram a cidade e colocaram o calçamento de forma irregular. Analisamos o contrato e as planilhas e nada estava sendo cumprido”, completou o colega Valdeci Basto Pereira (PSL).

O vereador Paulo Sérgio (PPS), de Apiacá, classificou a atuação da Cesan como uma “vergonha” e pediu ampliação da capacidade de disponibilidade de água para a população. “Há 50 anos ela fez uma estrutura para 1.500 a 3 mil habitantes, hoje tempos 9 mil e continua do mesmo jeito.

Ela passa o carro avisando que dia tal não vai ter água”, protestou. Já Ivan Mateus (PSB), de Ponto Belo, pediu auxílio da Casa para descobrir onde foram parar recursos no valor de R$ 10 milhões oriundos do PAC, programa do Governo Federal, que seriam destinados ao saneamento básico no município.

“Não sei se houve uma falha na documentação ou se foi desviado para outra cidade. Temos dois bairros que o povo quer vender a casa porque não tem rede de esgoto. Tem gente que abriu duas, três fossas e não tem como abrir mais.

A água fornecida pela Cesan está amarelada”, denunciou. Vila Velha Dois vereadores de Vila Velha se manifestaram durante o encontro. Ambos criticaram o trabalho prestado pela Cesan, em especial no que se refere ao tratamento do esgoto e no recapeamento das vias abertas para a execução das obras na cidade.

“Convidamos a Cesan para ir até a Câmara e eles não foram. Sou morador da região cinco, são 22 bairros e o esgoto é jogado no Rio Jucu. Eles vendem a água e jogam o esgoto lá. Foi feito o Projeto Águas Limpas, gastaram parte do dinheiro, a empresa sumiu e estão lá as valas abertas. Não se pode nem pavimentar as ruas porque não tem drenagem e esgoto”, lamentou Duda da Barra (PP).

Já o vereador Osvaldo Maturano (PROS) reclamou dos buracos deixados pelas empresas que prestam o serviço de recuperação das ruas e avenidas para a Cesan. “As empreiteiras deixam um rastro de buraco. Teve um no próximo ao Posto 7 que ficou meses aberto, isso numa rodovia importante como a Carlos Lindenberg.

Elas fazem um péssimo trabalho”, avaliou. Próxima reunião O quinto encontro com os vereadores está agendado para o dia 28 de abril. Na oportunidade o prefeito de Pedro Canário, Antônio Fiorot (PSB), virá para discursar sobre a técnica desenvolvida por ele de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.

Outros assuntos debatidos: Professor Ricardo (PSDB) – São Gabriel da Palha: “Temos muitas obras do governo do Estado paradas no município. Venho cobrando a contribuição do colégio estadual, pois é o único colégio da sede. Peço o empenho da Sedu para que as obras continuem. Membros do Conselho de Pais e Alunos reclamaram do calor e da falta de espaço para atividade física na unidade”.

Acácio Santos Andrade (PSB) – Montanha: “Nosso prefeito (Ricardo Favarato) é motivo de piada. Ele mora em Nanuque, em Minas Gerais e deixa a administração nas mãos do pai, o ex-prefeito Hércules Favarato, que tem mais de 60 processos de improbidade administrativa. Precisamos de uma intervenção do Estado e do Ministério Público.

Ele está afastado do cargo de secretário de obras, mas bate no peito para dizer que manda na cidade”. Juvenal Calixto (PPS) – Barra de São Francisco: “Estamos preocupado com a questão da saúde no município. Estão se encerrando os contratos com as cooperativas e vai ficar inviável sem elas. Vai parar a Daúde do Estado, sugiro convidarmos o secretário de Saúde para um encontro”.

Fernando Alves (Rede) – Alfredo Chaves: “Este ano é um ano eleitoral e o remédio para político ruim é a eleição. O Papa Francisco numa das audiências gerais que faz foi abordado por um estudante jesuíta que perguntou o que deveria fazer para melhorar a vida das pessoas e ele mandou o jovem entrar para a política, que é a mais alta das caridades”.

Neuzinha (PSDB) – Vitória: “Estamos sem vacina nos postos e não vai chegar, não vai ter nem no particular. A matéria-prima não está chegando ao nosso País e quando chegar ainda vai ter que fabricar. E eles não querem mandar para o Brasil, pois estamos numa situação financeira ruim”.

Por Weber Andrade