Tortura e morte no CDP de Colatina revolta dona de casa

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658Dois diretores do Centro de Detenção Provisória de Colatina (CDP), 14 agentes penitenciários e uma enfermeira foram indiciados pela polícia por crime de tortura seguida de morte do moto-boy Wesley Belz Guidoni, 31 anos. Wesley foi encontrado morto nas primeiras horas da manhã dos 14 de janeiro deste ano na cela 204 do sistema de triagem do CDP de Colatina.

A conclusão do inquérito foi divulgada ontem por quatro delegados da 15ª Delegacia Regional de Colatina.

Patrimônio.

O delegado Hédson Félix que conduziu a investigação pediu a prisão dos 17 agentes penitenciários. A identidade deles não foi revelada pelos policiais. Segundo familiares, Wesley sofria de transtornos mentais. Vivia a base de remédios controlados, além de sofrer ataques epiléticos.

De acordo com o delegado Hédson mais de 30 pessoas foram interrogadas nos últimos cinco meses. “Wesley Belz chegou ao CDP quatro dias antes de ser morto. Não tinha lesões como atesta o laudo de entrega do preso. Foi morto na cela onde cumpria prisão sozinho sem camisa e de bermuda.

O legista do Serviço Médico Legal (SML) de Colatina constatou que havia marcas de espancamento, hematomas no corpo todo e o pescoço estava quebrado”, disse o delegado. Além das prisões dos agentes, o delegado pede à Justiça o afastamento imediato dos suspeitos. “Alguns agentes estão envolvidos diretamente.

Outros de forma indireta por omissão, além da tentativa de manipular provas”, afirmou Hédson. Segundo ele, um dos pretextos dos guardas do presídio é que Wesley tinha se auto-lesionado ao bater a cabeça nas grades. “As imagens das câmaras de segurança também foram entregues pelas metades. Uma cena comprova a vítima sendo levada em uma cadeira de rodas amarrada com tiras de lençol.

Depois o corpo na cela na mesma posição que foi deixado. Meu trabalho foi transparente”, frisou o delegado Hédson Félix titular da Delegacia de Infrações Outras (Dipo) da 1ª Regional de Colatina.

Depoimento:

A dona de casa Necilda Belz Guidoni, 57 (foto) anos disse que o martírio do seu filho Wesley começou no dia 9 de janeiro após desentendimento como pai, dono de um bar em São Silvano, em Colatina. “Discutiram e ele chamou a polícia. Implorei para que não o levassem preso. Wesley era um bom filho. Foi espancado até a morte. O corpo dele parecia passou por uma máquina de moer carne. Ele morreu de tanto apanhar no CDP. Quero Justiça”.

Fonte: Nilo Tardin