Toledo confirma convite para investir em nova ferrovia

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Por: José Caldas da Costa

Um clima de esperança tomou conta da classe empresarial das regiões Norte e Noroeste do Estado do Espírito Santo com o anúncio do projeto de uma nova ferrovia ligando Sete Lagoas, em Minas Gerais, ao novo porto a ser construído pela Petrocity em São Mateus. Um dos mais entusiasmados é o empresário Maurício Toledo Jacob, que há 18 anos aposta do setor de mineração.

Nesse período, Maurício já aventurou-se até mesmo na política, como prefeito de Mantena (MG), cidade do leste de Minas, vizinha de Barra de São Francisco – as duas cidades são distantes apenas 10km uma da outra.  E, agora, Maurício Toledo confirma: foi chamado e topa ser parceiro na construção da nova Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo, com 560km no seu projeto final.

“O presidente da Petrocity (José Roberto Barbosa) me procurou falando do projeto e fiquei, sim, entusiasmado. Vou me encontrar com ele em Vitória na próxima semana para conhecer mais de perto o estudo de viabilidade econômica do projeto, mas como empresário e usuário das rodovias, por onde escoamos hoje os nossos produtos, posso dizer que isso me deixa muito esperançoso na volta do crescimento para nossa região”, disse Toledo.

Sua presença na produção de granitos já justificaria sua participação no empreendimento, mas Maurício Toledo tem ainda mais razão para estar entusiasmado, pois seu grupo empresarial  já está presente também em Minas Gerais na extração de minério de ferro na região de Guanães e o escoamento dessa produção hoje está dependendo de rodovias a cada dia mais precárias ou da Estrada de Ferro Vitória-Minas.

ENCONTRO REGIONAL

Logo depois de reunir-se com o presidente da Petrocity em Vitória, Maurício disse que vai organizar um encontro com os empresários do setor de rochas ornamentais da região Noroeste para que haja uma apresentação do projeto e haja uma articulação da participação do segmento. “Temos diante de nós o terceiro ciclo do desenvolvimento regional”, disse.

O empresário acredita na viabilidade e na execução do projeto, principalmente porque tudo será feito com recursos privados. “Do poder público nós queremos a parceria no sentido de agilizar os processos de licenciamento, porque o escoamento é um grande gargalo para aumentar-se a produção não apenas das rochas ornamentais, mas de outros produtos da nossa região. Hoje estamos falando de duplicação das nossas rodovias federais quando já deveríamos estar falando em quadruplicação. Então, apostar nessa ferrovia é fundamental para o desenvolvimento econômico”, acrescentou.

De acordo com Maurício Toledo, o porto de São Mateus vai encurtar distâncias e a ferrovia baratear custos, aumentando a competitividade das rochas ornamentais produzidas na região perante o mercado internacional: “A redução nos custos de logística vai passar dos 50% e isso é fundamental para a competitividade de um produto de baixo valor agregado como é o nosso”.

A Toledo  Mineração é uma das dez maiores empresas do setor no Brasil e produz milhares de toneladas anuais. Maurício mostra entusiasmo não apenas com a construção da ferrovia, mas com o fato de uma Unidade de Transbordo e Armazenamento de Cargas ser em Barra de São Francisco, município onde está sediada sua empresa.

IMPACTO

Essa nova fase vai gerar impactos significativos na região, segundo ele: “Tudo isso vai alavancar novos negócios no município, atraindo novas empresas, investimentos, fábricas. Temos um produto que o mundo inteiro compra, tanto de forma bruta quanto beneficiada. Agora, um investimento dessa envergadura produz um efeito em cadeia”.

Maurício Toledo salienta que a sociedade só tem a ganhar e mesmo alguma eventual preocupação com impactos ambientais deve ser afastada, embora admita que devam ser estabelecidas medidas de compensação ambiental. “O desenvolvimento econômico e social, com geração de emprego e renda, serão tremendos e a indústria de rochas ornamentais já tem hoje um compromisso grande com o equilíbrio ambiental”, disse.

Outra preocupação é com a qualidade da gestão pública, no que o empresário atribui à sociedade como um todo essa parcela de responsabilidade. “Sem dúvidas, precisamos qualificar a representação política e os gestores públicos, para que possam agir em consonância com as necessidades desse novo momento econômico. Acho que tudo está acontecendo na hora certa, porque o Brasil está vindo um de seus melhores momentos em termos de esperança”, finalizou.

A previsão dos empreendedores da Petrocity é de que essa grande transformação regional se dará num prazo entre seis e oito anos, a partir do momento em que o Estado liberar a licença para o início das obras de construção do porto na região de Urussuquara. O porto  não depende da ferrovia para existir, de acordo com José Roberto Barbosa, porém, a existência desse modal de transporte dará um grande impulso aos negócios no complexo portuário.

(Diariamente, uma nova reportagem com a repercussão do anúncio da construção da ferrovia para escoar produção para o Petrocity, em São Mateus)