Reflexos da crise econômica na saúde é tema de debate entre vereadores, prefeitos e deputados

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Em sessão especial realizada nesta quinta-feira (28/04/2016), deputados, vereadores e gestores municipais debateram sobre os reflexos da crise econômica e política na área da saúde no Espírito Santo. A reunião teve a presença do prefeito de Pedro Canário, Antônio Wilson Fiorot (PSB), que apresentou novidade que pode ajudar no controle do Aedes aegypti.

Proponente da sessão, o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) destacou que a iniciativa é uma oportunidade para discutir assuntos do setor, e não criticar ninguém. “Não é por causa da crise que nós temos que parar de debater os temas”, frisou. Segundo ele, mesmo que existam prioridades e não haja possibilidade de se criar novos serviços, é importante levantar as questões.

Secretários municipais de saúde elencaram as dificuldades de seus respectivos locais de origem. A de Itarana, Vanessa Martinelli, destacou que a cidade possui base do Samu 192 já há algum tempo, mas aguarda pela equipe de profissionais e ambulância – responsabilidade do governo do Estado. “É um município com alto índice de acidentes automobilísticos”, disse.

Queixa parecida teve o secretário de Pancas, Márcio Marques dos Reis, que apresentou outras. Segundo ele, atualmente passamos por quatro crises: política, financeira, hídrica e na saúde. Ele afirmou que a crise econômica impacta diretamente na rede pública, pois muitos acabam saindo dos planos de saúde particulares. “Esse cidadão tem que procurar o Sistema Único de Saúde, que já vinha atravessando uma crise”.

Entre outros problemas, lembrou que o fim dos recursos financeiros repassados por meio do Programa Estadual de Cofinanciamento da Atenção Primária (Pecaps) prejudicou o funcionamento do atendimento no município. “Isso estava trazendo uma possibilidade de ofertar mais serviços na atenção básica”, resumiu o titular da pasta.

Outro secretário a falar foi o João Neiva, Paulo Jorge Mattos. Para ele, o maior problema é a falta de médicos, que deixa desguarnecida a população de 17 mil habitantes. Atualmente há dois, mas faltam quatro para compor a equipe do Programa Saúde da Família (PSF). “Como vamos pagar um médico com salário de R$ 4,5 mil?”, questionou.

Palestra

Prefeito de Pedro Canário, Antônio Wilson
Prefeito de Pedro Canário, Antônio Wilson

O prefeito de Pedro Canário, Antônio Wilson Fiorot (PSB), deu uma palestra aos vereadores sobre o Aedes aegypti, que, segundo ele, coloca o “País em estado de emergência”. Ele revelou que o mosquito, atualmente identificado como o vetor dos vírus da dengue, febre chikungunya e zika, pode na realidade transportar “muito mais vírus” e pediu atenção na prevenção.

Segundo ele, metade da população do mundo está à mercê desse problema, se os trópicos do globo terrestre. “A prevenção é uma atitude segura antes que aconteçam os problemas”, salientou. Nesse ponto, ele apresentou uma descoberta que pode ajudar: trata-se do inseto Notonectidae, que se alimenta da larva do Aedes.

“Identificamos um predador biológico, um predador que comia a larva do Aedes aegypti”, revelou. “Não vai resolver o problema do mundo”, afirmou, “mas vai acrescentar mais uma maneira de combate”. De acordo com ele, pesquisas mais detalhadas serão realizadas com o apoio da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam).

Vereadores

Os vereadores usaram o microfone da tribuna para apresentar questões sobre saúde pública. Muitos reclamaram da falta de profissionais ou estrutura para abrigar serviços. Marcos Stein (PMDB), de Baixo Guandu, disse que nasceu no município, ao contrário do seu neto, devido à ausência de maternidade atualmente na cidade. As gestantes locais têm que se dirigir à Colatina.

De Montanha, Acácio Santos Andrade (PSB) também cobrou maternidade no município e Divino de Souza Fernandes (PT), de Domingos Martins, ressaltou que a maternidade está para ser fechada. “Não vamos ter martinenses mais em Domingos Martins”, avaliou.

Os dois hospitais de São Gabriel da Palha foram tratados com preocupação por Everaldo José dos Reis (PDT). “A saúde de base não tá ruim, o que está matando a saúde são os dois hospitais”, cobrando a reabertura das unidades. Devido à situação, entre outros obstáculos, as grávidas devem se dirigir à Colatina para ganhar dar à luz.

Já Paulo Roberto dos Reis (PV), de Barra de São Francisco, pediu apoio para manter o serviço de ortopedia aos francisquenses garantido por meio do Hospital Estadual Drª. Rita de Cássia e cobrou melhorias no Centro de Tratamento Intensivo (CTI).

Vereador de Cachoeiro de Itapemirim, Rodrigo Pereira Costa, (PV) se mostrou preocupado com a migração de vans e ônibus que saem de lá frequentemente para outros municípios, principalmente com destino à Grande Vitória, para tratamento médico e cobrou descentralização dos serviços. “Não vejo algo concreto em relação a esse projeto da Secretaria (de Estado) da Saúde, concluiu.

O encontro contou com a presença do deputado Doutor Hércules (PMDB), presidente da Comissão de Saúde da Casa, do prefeito de São Gabriel da Palha, Henrique Vargas (PRP), entre outras autoridades. A próxima reunião ficou marcada para 2 de junho às 13 horas. O assunto será as novidades da legislação eleitoral a fim de orientar os vereadores.

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