Racionamento de água já atinge 15 municípios da região norte

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O racionamento de água devido à falta de chuvas já atinge 28 municípios em todo o Espírito Santo, mas a maioria deles está na região norte capixaba, onde a crise se agrava a cada dia que passa sem chover. Em Barra de São Francisco, por exemplo, a reportagem do Gazeta do Norte visitou todos os distritos na última terça-feira, dia 13/10/2015 e pôde ver “in loco” a grave situação em que se encontram os rios Itaúnas e São Mateus e o córrego São Francisco, principais mananciais que cortam a cidade.

O Itaúnas é utilizado pela Cesan para captação de água, mas também é o principal manancial utilizado pelos agricultores para irrigação de lavouras. Apesar da crise, a reportagem flagrou pessoas lavando as calçadas no distrito de Cachoeirinha de Itaúnas e produtores irrigando lavouras de inhame e café, na região de Vargem Alegre.

De acordo com reportagens publicadas hoje pelos maiores jornais do Estado, são 28 municípios com problemas no abastecimento de água tratada.

Laginha do Pancas

Em Laginha do Pancas, a comunidade fez um apelo ao deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD), no final de semana passado, para que ele interceda junto ao governador Paulo Hartung, pela licitação da construção de uma barragem naquele distrito. Os recursos teriam sido deixados em caixa pelo governador anterior, Renato Casagrande, mas a licitação não foi realizada até o momento.

“Temos uma situação muito difícil porque até a perfuração de poços artesianos se mostrou infrutífera”, afirma o empresário e produtor rural Carlos Schwartz, de Laginha. Ele e outras lideranças relataram ao deputado que seria preciso perfurar, de acordo com técnicos, poços com mais de 100 metros de profundidade para encontrar água.

Atualmente o distrito tem feito racionamento de água, uma vez que o local utilizado para captação não suporta retirada de água o dia inteiro.

Cesan

Barra de São Francisco os 13 vereadores assinaram um documento, que foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) pedindo providências para obrigar a Cesan a trabalhar pela recuperação das nascentes que fazem o manancial do Itaúnas.

A representação assinada pelos 13 vereadores busca meios legais para que a empresa (Cesan) que explora no município os recursos hídricos, seja obrigada a cumprir a sua função típica, que decorre da prestação dos serviços adequados a população, obrigando assim a mesma de cumprir a legislação que determina quais os padrões de abastecimentos de água destinada ao consumo humano que devem ser atendidos.

O documento afirma que o município está passando por uma forte crise hídrica e verifica-se, em primeiro lugar, “que a responsabilidade quanto à captação, tratamento e abastecimento de água no município está a cargo da Cesan, sendo desta forma, total responsabilidade desta autarquia pública estadual, prestar esclarecimentos à população francisquense, do racionamento e da falta de investimentos para ampliar os meios de captação de água no município”.

Vale aqui lembrar que em 2001 foi aprovado uma lei autorizando firmar um termo aditivo ao contrato de concessão firmado com a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan) e mesmo existindo a Lei nenhuma atitude foi tomada por parte dela e em 2009, foi aprovado um Termo de ajustamento de Conduta (TAC) que também foi ignorado.

O município e o Ministério Público, bem como a população também têm culpa, pois, no caso do município e do Ministério Público, não fiscalizaram e deixaram a empresa fazer o que bem quis.

Já a população, vive jogando lixo nos rios, bem como outros entulhos. Assim, a culpa é da Cesan, mas é também do município, do Ministério Público, da população e, principalmente, dos vereadores, que tem por função fiscalizar e nunca fiscalizaram.

Entretanto, durante todo esse tempo de exploração, ou seja, 43 anos, a população de Barra de São Francisco teve um salto enorme no número de habitantes passando de 20 mil para mais de 45 mil habitantes, e a empresa Cesan apenas tomou medidas paliativas, pois, na verdade, ainda hoje, a água que é servida à população vem da mesma fonte, ou seja, o já degradado rio Itaúnas.

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