Petrocity cancela seminário em Barra de São Francisco

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Empresa se anima com anúncio de Casagrande de melhorar ambiente de negócios e foca no evento de assinatura de contratos no próximo dia 17, em Vitória

Como instrumento para incrementar a atividade econômica e consolidar o Espírito Santo como porta de entrada e saída para o comércio exterior, o governador Renato Casagrande (PSB) enfatizou, em seu primeiro dia no comando do Executivo, que sua gestão estará focada em ampliar e capacitar a infraestrutura logística do Estado.

“Precisamos da duplicação das nossas principais rodovias federais, as BRs 101 e 262, implementar nossa malha ferroviária, ter portos mais eficientes. Vamos debater o nosso sistema portuário e melhorar o ambiente de negócios para atrair novos investidores”, disse o governador numa entrevista de mais de meia hora no telejornal matina da TV Gazeta.

Renato Casagrande toma posse na Assembleia. sob aplausos do deputado Enivaldo dos Anjos

Renato Casagrande reconheceu que há gargalos na infraestrutura capixaba e prometeu “organizar melhor” o Iema (Instituto Estadual de Meio-Ambiente) para haver mais agilidade nas apreciações dos pedidos de licenciamento ambiental. “Que seja sim ou não, mas que decida logo. Claro, isso será feito com muita responsabilidade, mas é preciso mais agilidade”.

PORTO DE SÃO MATEUS

O governador mencionou até mesma possibilidade de estadualizar ou municipalizar portos que hoje têm instâncias decisórias na esfera federal, e não descartou também o capital privado para operar o sistema.

As notícias animam os empreendedores envolvidos no arrojado projeto privado do complexo portuário de São Mateus, capitaneado pela Petrocity, bem como outro projeto com recursos privados, da Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo, com 560km ligando Sete Lagoas (MG) ao novo porto de São Mateus.

“Temos todas as licenças federais para iniciar as obras do porto, somente nos falta a licença ambiental do Iema. Nosso projeto foi entregue em julho e não teve andamento, mas, com esta notícia do governador Renato Casagrande, estamos ainda mais confiantes na possibilidade de iniciar as obras ainda neste primeiro semestre de 2019”, disse o presidente da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva.

Até mesmo com base nessa expectativa, a Petrocity decidiu adiar a realização de um seminário em Barra de São Francisco, programado para o próximo dia 15, e colocar todo o foco no evento agendado para o próximo dia 17, em Vitória, quando serão assinados os contratos com os parceiros da empresa para a construção do complexo portuário. A parte principal ficará com a Odebrecht, que terá R$ 2,1 bilhões para a construção do porto, cujo custo final está projetado em R$ 3,2 bilhões.

FERROVIA

O empresariado do setor de mineração, neste momento, é o mais entusiasmado com o novo corredor logístico projetado pela Petrocity. Maurício Toledo, da Mineração Toledo, que é um dos dez maiores exportadores de rochas ornamentais do País, quer aproveitar a ferrovia e o porto também para incrementar as exportações de minério de ferro da região de Guanhães, no leste de Minas.

A mobilização em torno do porto já começa a movimentar também o setor imobiliário de São Mateus, pois na fase de construção serão gerados 2.500 empregos diretos e, na operação, 2 mil empregos diretos e em torno de 6 mil indiretos, o que demandará habitação.

Neste início de ano, lideranças da “ponta de linha” da nova ferrovia também procuraram a Petrocity para obter mais informações sobre a nova estrada.

“Tive contatos da cidade de Confins, onde fica o aeroporto internacional de Belo Horizonte, local projetado para receber uma Unidade de Transbordo de Armazenagem de Cargas com maior valor agregado. O pessoal de Sete Lagoas e Confins quer uma apresentação do projeto da ferrovia. Vamos mudar a geografia do Sudeste com o primeiro porto da região dentro da área da Sudene”, disse José Roberto.

(Série de reportagens produzidas pelo jornalista José Caldas da Costa sobre os impactos da nova ferrovia EFMES e o Complexo Portuário da Petrocity, em São Mateus)