Movimento popular quer forçar CPI contra o prefeito Marcelo Coelho de Aracruz

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Prefeito Marcelo Coelho
Prefeito Marcelo Coelho

O Conselho Popular de Aracruz (Conspar) protocolou, nesta sexta-feira (4), na Câmara de Vereadores, pedido de abertura de CPI contra o prefeito da cidade, Marcelo Coelho (PDT). Conforme A GAZETA publicou com exclusividade, o pedetista utilizou o CNPJ de uma empresa que tem contrato com a prefeitura para comprar uma caminhonete modelo S10 com desconto oferecido a pessoas jurídicas.

Agora, caberá ao Poder Legislativo decidir se aceita o pedido da entidade, que representa cerca de 60 associações de moradores do município.

“Reunimos toda a documentação e como a Câmara é o órgão fiscalizador, terá que investigar se o que o prefeito fez está certo. Se for verdade, que ele pague pelo que cometeu. Se ele estiver isento, vamos reconhecer que ele estava isento”, afirmou o presidente da Conspar, José Carlos Fanchiotti.

Como o regimento interno da Câmara diz que apenas vereadores, partidos ou munícipes podem pedir a investigação, Fanchiotti protocolou o requerimento em nome dele, e não no da entidade.

O pedido de abertura de CPI, protocolado no fim da tarde, foi o único apresentado à Câmara após a publicação da denúncia.

Base aliada

Dos 17 vereadores de Aracruz, 14 são considerados da base aliada. Ontem, a presidente da Casa, Rosane Machado, do mesmo partido de Marcelo Coelho, não atendeu nem retornou telefonemas. O vice-presidente, Alexandre Manhães (PMDB), disse que se manifestaria por escrito, mas não o fez. O segundo-secretário, Romildo Broetto (PV), saiu em defesa do prefeito.

“Só fiquei sabendo disso pelo que recebi pelo WhatsApp. Nem li jornal. Não tem nada oficializado. Até agora, não tem nada que comprove algo errado”, afirmou.

O vereador Fábio Machado (PT), um dos que não estão na base do prefeito, considerou positivo o pedido de investigação feito por uma entidade externa à Câmara.

“Se o vereador fizer (pedido de CPI), pode acompanhar mas não pode participar das investigações. Por isso, até preferimos que seja protocolada pelo Conspar, para participamos ativamente. A Câmara tem que fazer o papel de investigar os casos do Executivo para dar uma resposta à sociedade”, afirmou o petista.

O caso

A reportagem de A GAZETA mostrou que um dos sócios de uma loja de material de construção, Márcio Mantovani, disse ter “emprestado o CNPJ” da empresa para que o prefeito comprasse um carro numa concessionária. Em compras com CNPJ, o valor do veículo recebe um desconto de pelo menos R$ 4 mil, conforme a reportagem apurou.

O carro foi adquirido em nome da Mantovani Construções LTDA (razão social da loja Construfácil) em 7 de janeiro, segundo documentação do Detran.

Oito dia depois, a Prefeitura de Aracruz assinou um contrato com a mesma empresa para fornecimento de R$ 23,5 mil em sacos de cimento.

No mesmo dia da aquisição da S10, de placas PPC7002, para o prefeito, a firma ainda comprou outro carro, idêntico, de placas PPC7001, entregue ao deputado Erick Musso (PP).

O parlamentar afirmou que assumiu as parcelas, mas confirmou que o veículo continua em nome da empresa. A Mantovani Construções doou R$ 50 mil para a campanha eleitoral de Musso, em 2014.

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Tatiana Ignatowska D. Bernardina

“Quem tem amigos assim, não precisa de mais nada, um ajudando o outro… Que lindo. Enquanto isso, nos hospitais, nas creches…”

Roberto Vieira

“Uma pena um município tão rico e próspero como Aracruz com um prefeito assim. Aliás, Aracruz nunca deu sorte com prefeitos”.

Jesley Carvalho

“Ou é lavagem de dinheiro, ou é muito amor envolvido entre essas pessoas”.

Marta Angela

“O que acha disso Sérgio Moro????”

Rogério Dória

“Vou contar um segredo pra vocês: Não vai dar em nada! (Tomara que eu seja contrariado!)”

Rafael Freitas

“Depois vem o superfaturamento em obras, e o dinheiro do povo indo para o ralo”.

“Não comprei em meu nome porque promoção é para empresa”

O prefeito de Aracruz, Marcelo Coelho (PDT), admitiu ter recorrido a uma empresa para ter desconto na compra de um carro. Também confirmou que o objetivo da negociação foi pagar menos pelo veículo.

“Sou amigo do Marcinho (Mantovani, dono da empresa), ele é meu irmão. É relação de confiança. Toda concessionária do Brasil faz essa promoção. Não comprei no meu nome porque a promoção é somente para empresas”, afirmou, em entrevista à TV Gazeta Norte, ontem.

Mas especialistas em Contabilidade, Administração e Direito consultados por A GAZETA foram unânimes: a negociação é imoral. Isso porque o benefício é restrito a pessoas jurídicas. Uma pessoa física não poderia recorrer a um CNPJ para ter o desconto.

Compromete mais a moralidade o fato da empresa ter contrato com o município. Coelho não vê problema no vínculo porque a firma “ganhou só um contrato na gestão dele”.

“Não houve troca de favor. Houve decisão particular minha de comprar um carro com menor preço. Dei o meu carro, dei R$ 82 mil na caminhonete, peguei R$ 12,2 mil de volta, dei entrada de 60% e estou pagando as 24 prestações de R$ 1,9 mil”.

Fonte: gazetaonline