Manifesto Pro Corredor Logístico Rota 381 dará o norte do movimento lançado nesta sexta-feira, 5, por lideranças regionais

144
Prefeito Enivaldo dos Anjos

Um manifesto lido pelo jornalista José Caldas da Costa, condutor do evento de lançamento do Movimento Rota 381, na manhã desta sexta-feira, 5, e um pequeno discurso da deputada federal Soraya Manato (PSL), marcaram o encerramento da reunião virtual, mas deixaram acesa a chama da luta pela duplicação da BR-381 entre São Mateus (ES) e Governador Valadares (MG).

Soraya Manato prometeu se empenhar no Congresso para que Barra de São Francisco seja denominada, por lei, a Capital Nacional do Granito. 

MANIFESTO PRÓ-ROTA 381, será lido e assinado por todos os atores que participaram do evento e outros que deverão se aliar ao projeto de construção de um corredor logístico entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e os portos de São Mateus, trazendo uma nova perspectiva econômica para os dois Estados, particularmente as regiões leste e nordeste de Minas e o norte do Espírito Santo. 

Idealizado pelo prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSD), o Movimento Rota 381 ganhou a adesão de importantes lideranças políticas mineiras, como o prefeito de Governador Valadares, André Merlo (PSDB), o deputado federal Hercílio Diniz (MDB/MG) e também do Espírito Santo.

Apenas o prefeito de São Mateus, Daniel do Açai, um dos polos do projeto, não participou do evento, mas incumbiu seu secretário de Planejamento, Hassan Resende, de hipotecar apoio ao movimento. 

Primeiro a se manifestar, o prefeito de Governador Valadares, André Merlo, disse que tinha conhecimento do projeto de construção do complexo portuário de São Mateus e da ferrovia entre São Mateus e Sete Lagoas, na RMBH, passando pela cidade que administra.

Merlo falou do desafio que as lideranças da região leste de Minas já enfrentam, na luta pela continuidade da duplicação da BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares e hipotecou apoio ao movimento, colocando-se à disposição para debater estratégias que transformem em realidade o corredor logístico Minas/Espírito Santo, capitaneado pela Petrocity.

“A Prefeitura de Governador Valadares se coloca à disposição desse projeto”, disse ele lembrando que no Brasil, primeiro se produz, se viabiliza economicamente as coisas para depois pensar em logística e esse projeto está fazendo o contrário.

O prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSD), por sua vez, destacou que o movimento não é dele, mas sim de toda a região e que Minas e Espírito Santo têm grandes afinidades sociais e econômicas, o que facilita a união em torno do desenvolvimento desse corredor logístico que virá também mudar o perfil atual, onde a Vale é a única empresa que domina a exploração do transporte ferroviário entre os dois Estados. 

Dos Anjos salientou a importância da Petrocity nesse processo de descentralização da logística e ressaltou que todos serão beneficiados com o novo corredor logístico. O prefeito lembrou ainda que foi em sua primeira gestão como chefe do Executivo Municipal, há 30 anos, que Barra de São Francisco deu o primeiro passo em direção à exploração e produção do granito, hoje, o grande carro chefe da economia francisquense e regional, com a implantação do primeiro polo industrial do município. 

“Estivemos em Dubai há algum tempo e vimos lá o nosso granito, utilizado no aeroporto local, um dos mais modernos do mundo. O granito é e continuará sendo a nossa principal fonte de renda e geração de empregos e, junto com Minas somos os maiores produtores e exportadores de granito do país”, destacou. 

Leia o discurso do prefeito na íntegra 

“Senhoras e senhores. O Brasil é o 4º maior produtor mundial de rochas ornamentais, com aproximadamente 9 milhões de toneladas anuais, o que corresponde a 7% da produção mundial.  

O Espírito Santo produz 82% das rochas brasileiras, o que correspondente a quase 6% das rochas mundiais. Nesse cenário, desponta Barra de São Francisco, que responde com 57% das exportações do Espírito Santo. Logo, podemos concluir que Barra de São Francisco produz mais de 3% das rochas artesanais consumidas no mundo.  

Esta combinação de números, fartamente disponíveis junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral, aos órgãos que controlam o comércio exterior brasileiro, e à Associação Brasileira de Rochas Ornamentais, demonstram, por si só a importância deste encontro que estamos promovendo. Isto também justifica o nosso pleito, que neste momento encaminhamos aos representantes do Congresso Nacional aqui presentes, para que o município de Barra de São Francisco seja proclamado como a Capital Nacional do Granito.

Somos hoje um grande polo produtor de rochas para o Brasil e o mundo. Detemos 59% das extrações de blocos de granito, mas temos 45% das chapas beneficiadas. Ou seja, não percorremos nem a metade do caminho e precisamos ampliar ainda mais este polo de beneficiamento, que agrega valor às nossas rochas, gera emprego, gera Imposto sobre Serviços, gera ICMS. 

Concentramos as indústrias de beneficiamento de 15 municípios do Noroeste do Espírito Santo. Sete de cada 10 indústrias da região estão instaladas em Barra de São Francisco. Até mesmo quartizito extraído na Bahia e no Ceará é beneficiado em Barra de São Francisco. Temos o maior parque industrial por metro quadrado do setor de rochas no mundo, com tecnologia de última geração.

Somente de teares multifios temos mais de 200 máquinas altamente sofisticadas, capazes de produzir de 18 a 22 mil metros quadrados de granito por mês. Nosso parque, porém, opera com uma grande capacidade ociosa. Podemos produzir seis vezes mais o que produzimos hoje. E não produzimos não é por problema de mercado, não produzimos mais porque não há como escoar a produção. Esta é a razão de estarmos hoje realizando esse encontro em nossa cidade. Para mostrar que quando “um homem ou uma mulher sonha, Deus quer e a obra nasce”, como disse Fernando Pessoa. 

Nos últimos oito anos, segundo dados da ANPO, que congrega os produtores de rocha do Noroeste do Espírito Santo, foram investidos mais de 600 milhões de dólares no nosso parque industrial. 90% desses recursos foram dos próprios empresários, porque não há linhas de crédito para isso. Apesar de representar 11% do PIB capixaba, o setor de rochas é ignorado pelo setor público.

Mesmo assim prospera, o que demonstra, senhoras e senhores, que a iniciativa privada é capaz, sim, de grandes feitos. São apenas 30 anos de história, desde que os primeiros blocos começaram a ser extraídos para pesquisa em Barra de São Francisco. Naquela época, eu tornei-me prefeito, de 1989 a 1992, e criamos a base para essa nova era, com o polo industrial de nossa cidade. Era o que o poder público municipal podia fazer para alavancar os negócios e mudar a economia de nossa região. 

Agora, vamos muito além. Vamos duplicar o polo. Espírito Santo e Minas Gerais, juntos, produzem quase 95% por cento das rochas ornamentais exportadas pelo Brasil. São mais de 1 bilhão de dólares anuais exportados, sendo 900 milhões do Espírito Santo e 134 milhões de Minas Gerais.

Quase 700 milhões de dólares em rochas são destinados ao mercado dos Estados Unidos. As rochas são o quinto produto mineral da pauta de exportações brasileira, atrás apenas do minério de ferro, do minério de cobre, ferro-ligas e do ouro. As rochas estão muito à frente do sexto mineral, que é o alumínio.  

O progresso de Minas Gerais e do Espírito Santo não pode ser contido pela falta de infraestrutura, porque os portos capixabas não dão conta de escoar as exportações; e porque as rodovias não dão conta de escoar a produção; principalmente quando a iniciativa privada mostra-se disposta a investir.  

Quase 1 bilhão e 100 milhões de toneladas de nossas rochas ornamentais são exportadas pelo porto de Santos porque não temos estrutura no Espírito Santo. Pelo saturado Porto de Vitória saem 995 milhões de toneladas. Outros 300 milhões de toneladas são distribuídos pelos portos do Rio de Janeiro, Sepetiba, Salvador, os distantes portos de Recife, Pecém, Fortaleza, João Pessoa, São Francisco do Sul e Itajaí, em Santa Catarina, e até mesmo no porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

É justo que estejamos juntos neste momento em torno desse grande objetivo de criarmos o Corredor Logístico, Turístico e de Desenvolvimento Econômico e Humano que estamos denominando Rota 381. Vamos lutar juntos para que os três entes – o Governo Federal e os Governos de Minas Gerais e Espírito Santo – atendam ao nosso pleito de duplicar os 300 km da BR 381, entre São Mateus, onde nasce a rodovia, e Governador Valadares. Sim, porque os dois trechos, em Minas e no Espírito Santo, foram estadualizados e é preciso que os três entes entrem num acordo.

Precisamos ficar unidos, porque esta não é nossa única luta. Nosso corredor ainda é composto por dois outros projetos estruturantes, a serem construídos totalmente com recursos privados: o Centro Portuário de São Mateus e a Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo. O porto de Uruçuquara será o maior e mais moderno terminal portuário privado do Brasil, o único porto do Sudeste na área da Sudene. 

A Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo será uma ferrovia moderna, com bitola larga, o que possibilitará maior velocidade e maior capacidade de carga.

Não é demais sonharmos com um grande salto de desenvolvimento ao longo desses quase 300 km entre Governador Valadares e São Mateus, com impacto direto sobre Galileia, Divino das Laranjeiras, Central de Minas, São João de Manteninha, Mantena, Barra de São Francisco, Águia Branca, Nova Venécia e São Mateus.

Mas quantos outros municípios vizinhos não tirarão proveito do novo progresso? Fico a imaginar no futuro grandes empresas, grandes indústrias, gerando milhares de empregos, transformando a realidade das regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo, e Leste de Minas Gerais, impactando também a região Nordeste de Minas, especialmente os vales do Mucuri e do Jequitinhonha, e o Sul da Bahia. É, como bem definiu um jornalista de nosso Estado, o novo Eldorado do Brasil.  

Não podemos mudar o passado, mas podemos, sim, com a nossa atitude no presente, construir um futuro promissor e deixar um grande legado para as gerações vindouras. Sejam benvindos a este encontro histórico. Que daqui saia o maior movimento jamais visto entre os dois Estados produtores de 95% das rochas ornamentais do Brasil em prol do nosso desenvolvimento. Muito obrigado.” 

Depois de Enivaldo dos Anjos, o presidente da Associação Noroeste de Pedras Ornamentais (Anpo), Mario Imbroisi, também destacou a importância do movimento para o setor de rochas da região e salientou que a logística é hoje, um dos principais empecilhos ao meio desenvolvimento econômico da região e ao crescimento do setor de mineração. 

Imbroisi salientou que além da movimentação de milhões de dólares em exportação, principalmente para os Estados Unidos, o setor gera cerca de 14 mil empregos apenas na região noroeste do Espírito Santo, representando a garantia de qualidade de vida para milhares de famílias que vivem da atividade. 

O principal orador do evento, José Roberto Barbosa da Silva, CEO da Petrocity, fez importante detalhamento de todos os projetos que compõem o mix de logística a ser implantado entre Minas e Espírito, que inclui, portos, ferrovia, condomínios residenciais, marina, portos secos ao longo da ferrovia e destacou que todo esse conjunto depende muito da duplicação da BR-381 entre São Mateus e Belo Horizonte e que, no momento, a luta conjunta precisa focar na duplicação do trecho entre São Mateus e Governador Valadares, que será também o primeiro trecho da Estrada de Ferro Minas Espírito Santo (EFMES), a ser construído margeando a 381. 

Ao final do evento, ficou o compromisso de que todos estarão unidos em torno da formalização de uma associação Pro Corredor Rota 381 a ser criada e constituída por municípios e empreendedores com o propósito de acompanhar o movimento, bem como elaborar propostas e estratégias de sua atuação e ampliação.

Por: Weber Andrade (/tribunanorteleste)