Maioria dos deputados da Grande Vitória ‘deserta’ CPI do Pó Preto, mas Enivaldo dos Anjos está firme ao lado do povo

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Deputado estadual Enivaldo dos Anjos
Deputado estadual Enivaldo dos Anjos

O que chama a atenção na movimentação para tentar abrir a CPI do Pó Preto na Assembleia Legislativa é a omissão da grande parte dos deputados estaduais que vivem e/ou que foram eleitos pelos moradores da Grande Vitória – a região mais afetada pela poluição do pó preto, provocada pelas empresas poluidoras instaladas na Ponta de Tubarão: Vale e ArcelorMittal.

Entre os deputados da Grande Vitória que assinaram o pedido para a reabertura da Comissão, além do proponente Gilsinho Lopes (PR), estão Hércules Silveira (PMDB), Sandro Locutor (PPS), Amaro Neto (PPS) e Sérgio Majeski (PSDB). Fora da região metropolitana, assinaram o documento Guerino Zanon (PMDB), de Linhares; Freitas (PSB), de São Mateus, e Enivaldo dos Anjos (PSD), de Barra de São Francisco.

Os dois deputados que retiraram as assinaturas também são da Grande Vitória. Marcos Bruno (PRTB), de Cariacica, e Euclério Sampaio (PDT), de Vila Velha. Chama a atenção o fato de Euclério, em 2013 e 2014, ter ajudado Gilsinho Lopes a colher assinaturas para criação da mesma CPI.

Para os meios políticos, o posicionamento do pedetista atende à movimentação palaciana para esvaziar a CPI. O governo não estaria disposto a deixar a articulação correr porque isso levaria a uma investigação profunda da questão da poluição no Estado. Como Euclério se alinhou ao grupo palaciano, recuou. Mesma posição adotada por outros deputados da Grande Vitória que já sentiram a pressão do Palácio Anchieta.

Dos 30 deputados eleitos, 16 são da Grande Vitória, incluindo Guarapari, que faz parte da região metropolitana e também é impactada pela poluição provocada pelas empresas instaladas na região.

Também chama a atenção o fato de nenhum dos membros da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia ter assinado o documento. Aliás, Euclério Sampaio (PDT), que é suplente da Comissão, chegou a assinar, mas logo em seguida voltou atrás.

A comissão de Meio Ambiente, eleita nessa quarta-feira (4), é formada por Rafael Favato (PEN), que é presidente do colegiado; Erick Musso (PP), vice-presidente, além dos membros efetivos Bruno Lamas (PSB), Dary Pagung (PRP) e Gildevan Fernandes (PV); e os suplentes Raquel Lessa (SD), Almir Vieira (PRP), Euclerio Sampaio (PDT), Edson Magalhães (DEM) e Marcelo Santos (PMDB).

Nem mesmo a pressão popular fez com que os parlamentares da Grande Vitória adotassem uma postura mais independente sobre o assunto. As constantes manifestações sobre o alto índice de pó preto, que estão sendo realizadas semanalmente na Capital, contam com a presença de alguns parlamentares, mas a maioria não dá ouvido à reclamação da população que os elegeu.

Essa posição dos deputados deve, inclusive, repercutir na próxima mobilização neste domingo (8), na praia de Camburi, em Vitória, quando haverá um protesto ao pó preto, a partir das 9 horas. Os manifestantes prometem fazer uma marcha até os portões da Vale, no final da praia.

Fonte: seculodiario

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