Indígena é o vereador mais votado de Aracruz, no ES

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Com 1.325 votos, Vilson Jaguareté (PT) é não só o vereador mais votado de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, como também o único legislador indígena entre os 17 eleitos pela cidade.

A partir do dia 1º de janeiro de 2021 ele passará a se dividir entre a aldeia e a Câmara com o propósito de defender os direitos de seu povo.

“É preciso termos nossa voz na Câmara de Municipal de Aracruz para aprovação de leis, que vão garantir melhorias para o nosso povo na educação, na saúde”, pontuou Jaguareté, que é da aldeia Tupinikim de Caieiras Velha, a mais populosa de Aracruz.

Aracruz é o único município do Espírito Santo que possui territórios indígenas titulados. De acordo com o censo de 2010, 3.040 de seus moradores (o equivalente a 3,4% do total) se autodeclaram indígenas, o que faz com que a cidade tenha a maior concentração desses povos em toda a região Sudeste.

Apesar disso, antes de Jaguaré, apenas um indígena havia ocupado um cargo na Câmara até agora. Trata-se de Ervaldo Índio (PMN), suplente que chegou exerceu o mandato entre 2015 e 2016, após assumir como suplente no lugar de Erick Musso (Republicanos), que se elegeu deputado estadual naquele período.

A vitória de Jaguareté nas urnas para um mandato eletivo é considerada uma vitória para as comunidades indígenas.

“Quando a gente acredita na nossa união, na força do povo indígena, a gente consegue nosso objetivo”, exaltou Sezenando, liderança das comunidades indígenas.

A trajetória de luta de Jaguareté pelos direitos de seu povo começa muito antes de seu ingresso no Legislativo. Ele, que é filiado ao PT desde 2006, já foi cacique e chefe da coordenação técnica da Fundação Nacional do Índio (Funai) no município. Para o ano que vem, o vereador eleito já elenca suas pautas prioritárias.

“O município não tem o detalhamento do que é competência do município em relação à saúde indígena. Nós pretendemos fazer essa lei orgânica e detalhar, colocar essas competências em seus devidos lugares. Por exemplo, há tempos atrás faltaram insumos no posto de saúde e a prefeitura disse que não é de competência da cidade e sim da Secretaria Especial de Saúde indígena. Então, nós queremos essa lei para que esses argumentos não sejam mais empecilhos para nossos direitos”, ressaltou.

Fonte: g1-es