Henrique Vargas quebra o silêncio e fala como pegou a prefeitura de São Gabriel da Palha

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Prefeito Henrique Vargas
Prefeito Henrique Vargas

O prefeito Henrique Vargas (PRP) de São Gabriel da Palha, em entrevista a este site quebra o silêncio e fala com toda convicção sobre como pegou a prefeitura em seu primeiro ano de governo, das dificuldades encontradas e o que mudou nesses mais de três anos de administração.

Leiam na integra a entrevista:

Gazeta do NortePrefeito, como o senhor encontrou a prefeitura assim que assumiu os destinos do município em seu primeiro ano de mandato?

Henrique Vargas – Com dificuldade. Só a previdência dos servidores a prefeitura já devia R$ 50 milhões em 2013. Além desta dívida, a queda brusca na arrecadação municipal. No primeiro ano tivemos o fim do FUNDAP – Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias, onde tivemos perdas de quase R$ 5 milhões. Além da queda do repasse, do Governo Federal e dos Royalties do petróleo.

Para fazer uma comparação rápida, se nos três anos de mandato de nossa administração, tivéssemos a mesma arrecadação de 2012, teríamos em caixa hoje R$ 16 milhões.

Gazeta do NorteQuais foram as maiores dificuldades encontradas?

Henrique Vargas – Uma das grandes dificuldades foi o lixão. Quando chegamos estava interditado pelo IEMA e pelo Ministério Público. Assinamos um Termo de Ajuste Conduta, onde nos comprometemos em sanar as pendências com os órgãos ambientais e acabar com o lixão no nosso município. No Brasil São Gabriel da Palha foi o primeiro e um dos únicos a acabar com lixão a céu aberto. Isso foi uma vitória para nossa população.

Gazeta do NorteA oposição a sua administração tem permanecido em silencio nesses três anos ou tem sofrido retaliações?

Henrique Vargas – A oposição critica todas as ações do nosso Governo, com muitas inverdades, mas nunca sentou e trouxe uma solução ou mesmo uma idéia. Ela só atrapalhou nosso município com o discurso “Quanto pior, melhor”. Quem sofre com isso é só a população.

Gazeta do NorteComo tem sido seu relacionamento com a bancada de vereadores?

Henrique Vargas – Respeito todos os vereadores, trato como trato todos os cidadãos, com respeito educação e muita humildade, pois foi o que sempre fiz a minha vida toda.

Gazeta do NorteDaria para mencionar o que foi feito nesses três anos a frente do executivo?

Henrique Vargas – Olha fizemos muito. Mesmo com toda essa crise, que atinge todos os municípios do Brasil. Mesmo com essa crise de Brasília, que quebrou todas as cidades, conseguimos fazer uma creche, no bairro Gustavo Bone e João Colombi.

Havia 20 anos que ninguém fazia uma creche em nossa cidade. Reformamos e ampliamos a escola Maria Celeste, uma escola modelo. Calçamos mais de 40 ruas e diversos bairros. Abrimos oito unidades de saúde, que atende a população durante toda a semana.

No interior nunca na história do município se cascalhou e abriu tantas estradas, além das construções de pontes de cimento. Implantamos a coleta seletiva em nossa cidade. Colocamos alambrados em campos de futebol e inauguramos o campo de bola 2, que é um sucesso.

Abrimos escolas no interior que estavam fechadas, e implantamos a primeira escola municipal de tempo integral, no General Rondon. Foram muitas obras feitas mesmo com muito pouco recursos.

Gazeta do NorteO senhor prometeu alguma coisa em campanha e que não está sendo possível cumprir?

Henrique Vargas – Minha maior frustação foi o hospital Fernando Serra. Cresci ali vendo meu pai trabalhando, me formei médico e voltei para realizar o sonho de trabalhar naquela instituição. Quando me elegi deputado estadual, repassei 90% de todas as minhas verbas para o hospital.

Vi em meu mandato na Assembleia a oportunidade de melhorar o atendimento a população de melhorar a estrutura do hospital. Mas, sem qualquer explicação a diretoria perdeu todas as emendas, não conseguiu entregar a documentação para receber do Governo do Estado mais de R$ 3 milhões.

Elegi-me prefeito e continuei apostando na melhoria do hospital. Repassei em três anos R$ 8.753.000,00 e minha angustia, em vez de melhorar, piorou. Várias vezes sai pela madrugada da minha casa para atender pessoas porque o médico simplesmente não estava, ninguém sabia do seu paradeiro, simplesmente sumia.

A população estava chateada e com razão, eu estava carregando toda a culpa. Quando pedi a prestação de contas, aí fiquei decepcionado. Havia no hospital um instituto que recebia R$ 20 mil para não fazer nada, notas ficais sem o serviços serem prestados, era muita coisa sem explicação.

Foi necessário, contra minha vontade, mas pela força da legislação, intervir e suspender o repasse. Mandei para o Ministério Público Estadual e Federal para investigar, e a diretoria se voltou contra e colocou os servidores contra o prefeito, como se eu fosse o culpado. Eu dei mais de R$ 8 milhões e ninguém sabe me dizer o que foi feito com o dinheiro.

Eu sou o culpado? Quem gastou o dinheiro não tem culpa? O Dinheiro é da população que não recebeu o atendimento, que não viu um único aparelho comprado. Essa é minha maior tristeza com certeza.

Mas mesmo assim determinei que abrisse o PA 24 horas, e não recebi nenhuma reclamação de falta de médico. Os postos de saúde estão todos trabalhando e atendendo a população. Mas estou de portas abertas para que a diretoria preste contas e volte a funcionar e trabalhar para nossa população.