Enivaldo: “Fico com o governo até o último dia”

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Secretário-executivo do PSD estadual, partido que ele fundou a pedido da própria liderança nacional, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos assegura: “Ficarei com o governador Paulo Hartung até o final de seu mandato, independente de qual palanque o partido escolher nas eleições”. Nessa entrevista, Enivaldo, que faz parte da base de apoio do Governo na Assembleia Legislativa, desmistifica muita coisa do que tem sido dito sobre o processo eleitoral, desde que Paulo Hartung confirmou que não seria candidato. Segundo o deputado, os partidos foram liberados para se viabilizarem eleitoralmente, mas isso não significa que tenham abandonado Hartung. “Pelo contrário. O governador não é candidato e nem indicou um nome. Eleição é eleição, governo é governo. Estamos juntos até o final”, garante Enivaldo.

– Como o sr. interpreta a decisão do governador Paulo Hartung de não disputar a reeleição?

– Embora todos tenhamos nos surpreendido, é preciso fazer uma nova leitura e compreender a decisão do governador como um gesto coerente, pois ele apenas reafirmou o que já havia falado quando tomou posse. Ele disse que não seria candidato à reeleição, mas ficamos todos acreditando que isso não era para valer. Ou seja, além de ser um direito de escolha dele, existe essa questão de ele cumprir com o que tinha falado. Em segundo lugar, o gesto dele revela um grande desprendimento de uma liderança consolidada, mas que compreende o momento certo de dar espaço para o surgimento de novos líderes no Estado. Em vez de questionar, acho que o que todos precisamos é de enxergar nisso um exemplo do líder para o seu povo.

– O sr. acha que, ao desistir de disputar a reeleição, o governador Paulo Hartung perde a liderança que conquistou no Estado?

– Não, pelo contrário, a consolida, pelo fato de ele ter uma história reveladora de seu enorme papel na recuperação do Estado, um político vitorioso e coerente. Seu nome estará, eternamente, nessa história. No futuro, quando o Espírito Santo for estudado, o nome de Paulo Hartung será citado, obrigatoriamente, como um gestor forte e competente, que colocou a administração pública nos trilhos. Ele será lembrado pelo seu modelo administrativo eficiente, de responsabilidade fiscal, que se recusou a ser populista para ser estadista. Se formos pensar do ponto de vista meramente político-eleitoral, ele será lembrado como um governador que conquistou seus três mandatos no primeiro turno. Isso é confiança do cidadão. Acho que a liderança dele é consolidada e ele sempre será respeitado, mesmo diante de sua posição de não interferir em sua própria sucessão. É hora de as novas gerações assumirem seu papel.

– Todos sabemos como o ambiente político é sensível. O governador conduziu sua administração com o completo apoio da Assembleia Legislativa. A ausência dele do processo eleitoral poderá gerar instabilidade para o Governo no Legislativo neste final?

– Não acredito, porque o Governo tem enviado para a Assembleia projetos de interesse público, que estabelecem o equilíbrio financeiro e econômico para o desenvolvimento do Estado. E isso não vai mudar. O Governo continua até o seu final e a Assembleia governa junto com o Executivo. A relação é republicana. Além disso, o processo eleitoral não tem nada a ver com a relação de confiança e do crédito que o governador tem com a Assembleia. Eu, por exemplo, independente de onde o PSD estiver nas eleições, estarei fechado com o governador até o final de seu mandato, por acreditar que a política partidária não pode se sobrepor aos interesses do Espírito Santo.

– Com relação às eleições de outubro, a base aliada ficou sem rumo depois que o governador decidiu não concorrer ao quarto mandato?

– Acho que uma coisa precisa ficar bem definida aqui: ao não ser candidato, e fazer questão de não lançar um nome para ter o seu apoio, o governador Paulo Hartung abriu mão de participar do processo eleitoral. Se ele quisesse influenciar o processo, ele apontaria um candidato, mas desde o primeiro momento ele disse que não o faria. Assim, permitiu que os partidos aliados dele, que continuarão formando a base de sustentação do governo até o seu final, buscassem se articular eleitoralmente para construir alianças que melhor convenham aos interesses de cada um. O governador não foi abandonado pelos seus aliados, até porque ele não é candidato e não tem candidato. O que existe é uma articulação das lideranças partidárias buscando uma acomodação para se viabilizar eleitoralmente. Acho que precisamos aprender a conviver com uma nova realidade, saber distinguir momento político de momento eleitoral. São duas coisas distintas. O mundo não acabou porque o governador Paulo Hartung decidiu não ser mais candidato. Acho que, mais do que nunca, os políticos que têm responsabilidade com este Estado precisam aprender a dar respostas à sociedade. Eu posso assegurar da minha parte: sou amigo pessoal do governador Paulo Hartung desde que fomos deputados estaduais juntos, eleitos em 1986, e não vou abrir mão disso só porque ele não está no processo eleitoral. Repito: vou ficar do lado do Governo até o final do mandato. Se houver somente um deputado da atual legislatura para descer as escadarias do Palácio com Paulo Hartung, podem ter certeza de que este deputado sou eu.

– Esta é uma posição do sr., mas como fica a posição do PSD, do qual o sr. é o secretário-executivo?

– O PSD faz parte da base aliada na Assembleia e continuará sendo. De novo: o governador não é candidato e não tem candidato. Se o PSD, nas eleições, vai ficar com Rose, com Renato, com Aridelmo, com Foresti ou com o André Moreira, isso não quer dizer que está abandonando o relacionamento político com o governador. São duas coisas distintas. O governador Paulo Hartung já faz parte da história política do Espírito Santo e fica muito acima dos interesses eleitorais. A atitude é rara de se ver. O mercado político sempre disse que Paulo Hartung só age, politicamente, em interesse próprio, mas quando ele resolve comprovar, por um gesto tão importante quanto esse, que está pensando no Estado acima de seus próprios interesses, as pessoas não querem acreditar. Ora, a única palavra do governador sobre as eleições de 2018 foi, quando ele assumiu, de que não seria candidato. Ele simplesmente confirmou isso. Nunca disse que seria. Os outros é que disseram por ele. É um gesto muito nobre da parte dele e que precisa ser valorizado.