Enivaldo entra para a história com votação recorde: 15.844 votos

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Uma vitória retumbante, batendo todos os recordes da política municipal: foi assim a eleição do deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) como prefeito de Barra de São Francisco para o quadriênio 2021-2024, depois de três décadas que governou o município deixando marcas administrativas que estão presentes até hoje, como o polo industrial, infraestrutura viárias no interior e dois novos bairros.

Com 15.844 votos, Enivaldo dos anos superou a marca anterior de 15.313 votos que haviam sido obtidos pelo atual prefeito Alencar Marim (eleito pelo PT, hoje no Podemos), que foi apoiado pelo próprio deputado em 2016 e decidiu não buscar a reeleição para não ter que disputar com quem praticamente o lançou na política – antes de eleger-se, Alencar havia sido o vice na chapa de Enivaldo em 2012, quando havia perdido por pouco mais de 400 votos.

Foi uma eleição de grande participação do eleitorado que foi às urnas: apenas 1,69% (408 eleitores) votaram em branco e 3,32% (803 votos) foram anulados. A abstenção foi de 9.604 eleitores (28,63%). De 33.544 eleitores, compareceram às urnas 22.940 votantes para elegerem Enivaldo dos Anjos para prefeito e Gustavo Lacerda (Republicanos) para vice.
A votação de Enivaldo dos Anjos representou 69,07% dos votos válidos, enquanto seu principal concorrente, Juvenal Calixto (PP), atual presidente da Câmara, teve 3.983 votos (17,36%) e o terceiro concorrente, o atual vice-prefeito Denilson Feirante (Solidariedade), obteve 3.113 votos (13,57%).

APOIO DA CÂMARA

Além da vitória consagradora, Enivaldo dos Anjos também elegeu em sua coligação 10 dos 13 vereadores de Barra de São Francisco. Da chapa de Juvenal foram eleitos os outros três – dois do Cidadania e um do PP. Apenas quatro vereadores da atual legislatura se reelegeram, todos eles do PSD de Enivaldo dos Anjos, dentre eles o vereador Emerson Lima, que vai para seu terceiro mandato, e somente na última sexta-feira (13) teve liberada sua candidatura .

Esta eleição interrompe também o ciclo de representação do PT, que nos últimos 32 anos sempre teve vereadores e, desta vez, não conseguiu eleger ninguém. A Câmara de Barra de São Francisco também deixa de ter representação feminina. A candidata mais bem votada foi a cantora Israelle Cândido (PSD), mas ficou na primeira suplência.

O PT encerra um ciclo de 30 anos de sobrevida política. Durante todo esse período, teve representação na Câmara, mas agora não elegeu ninguém. Apenas três vereadores – dois do Cidadania e um do PP – são da chapa derrotada para prefeito, liderada por Juvenal Calixto.

Nova composição da Câmara: Borrinha Neri (PSD) – 1.323 votos; Lemão Vitorino (PSD – reeleito) – 1.112; Teco Ferreira (PSD – reeleito) – 910; Jadeir Brum (Republicanos) – 827; Cabo Joncicle (MDB) – 785; Leandro Ais (Cidadania) – 656; Elivan de Vargem Alegre (Podemos) – 549; Lula Cozer (Republicanos) – 522; Sargento Farias (Cidadania) – 494; Fernando Carabina (Podemos) – 452; Rafael da Saúde (PSD – reeleito) – 397; Emerson Lima (PSD – reeleito) – 322; e Igor Soares (PP) – 252 votos.

LIDERANÇA REGIONAL

Além de eleger-se com votação histórica, Enivaldo dos Anjos consolida sua liderança regional. Para recordar, quando ele voltou a se candidatar a deputado em 2014 não tinha o apoio de nenhum prefeito da região. Ganhou a vaga na Assembleia e começou a reconstruir sua base. Em 2016, elegeu candidatos apoiados por ele em Águia Branca e Ecoporanga. Depois conquistou o de Mantenópolis e o de Alto Rio Novo, que são do MDB.

Nessa eleição, Enivaldo teve aliados seus eleitos em Alto Rio Novo (Borel, MDB, com 2.522 votos), Água Doce do Norte (Abraão Lincoln, PSD, com 3.931 votos), Ecoporanga (Elias Dalcol, PSD, 7.636 votos), Mantenópolis (Hermínio Hespanhol, MDB, 4.298 votos) e Vila Pavão (Bolinha, PSB, 2.907 votos). Somente não conseguiu eleger os candidatos em Águia Branca, onde Carlim Kubit (PSB) teve 2.698 votos e perdeu para Jailson Quiuqui com 3.292, e em Pancas, com o ex-prefeito Wallace Alcure.

COMEMORAÇÃO

Com a apuração oficial da Justiça Eleitoral andando em passos lentos, o pior desempenho desde que foi implantado o voto eletrônico há 24 anos, restou aos candidatos montarem sistemas paralelos de apuração dos votos, com base nos boletins que são impressos no final da votação pelas urnas eletrônicas e, assim, aliviarem a tensão de seus eleitores – ou impondo-lhes a frustração.

Foi assim que desde as 17h30 os aliados do deputado estadual Enivaldo dos Anjos já comemoravam a eleição, apesar de o candidato, propriamente, somente ter participado das comemorações a partir do momento em que a totalização paralela feita por sua equipe, somando os boletins de urnas, ultrapassou os 13 mil votos, com 70% das urnas totalizadas.

ATAQUES AO TSE

Mais cedo, o presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, disse que também houve uma tentativa de ataque ao sistema eletrônico de votação, mas a ação não foi bem sucedida. Como o ataque foi repelido pelo TSE, esse caso não está sendo investigado pela PF por enquanto. Apenas se houver algum desdobramento é que isso será feito.

Pelas informações disponíveis até agora, o ataque deste domingo foi uma tentativa de derrubar o sistema por meio de vários acessos simultâneos, e não de sequestrar dados do sistema da Corte. O setor de tecnologia do TSE está apurando ainda o que ocorreu. O autor do ataque ainda não foi identificado, mas, segundo Barroso, teve origem provavelmente no exterior.

CARREIRA VITORIOSA

Enivaldo dos Anjos experimentou poucas derrotas em sua carreira política, iniciada, efetivamente, no começo dos anos 80 quando foi convidado para ser chefe de Gabinete do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edson Machado. Serventuário da Justiça na Comarca de Barra de São Francisco, no ano de 1982, aos 32 anos de idade, Enivaldo fez sua primeira experiência nas urnas, candidatando-se a deputado estadual e tendo 6.400 votos pelo PDS. Não se elegeu.

A primeira eleição conquistada foi em 1986, quando tornou-se deputado estadual pelo PFL com 9.831 votos. Fazia parte da bancada de oposição do governador eleito Max Mauro (MDB) e, em 1988, enfrentou nas eleições municipais de Barra de São Francisco o candidato Wilson Ferreira, que era apoiado pelo então prefeito Edinho Pereira e pelo próprio governador Max Mauro. Enivaldo saiu vitorioso com pouco mais de 300 votos de vantagem.

Encontrou uma prefeitura desmontada, teve que tomar posse acompanhado de um oficial de justiça e de um chaveiro, pois o prefeito anterior não lhe passou as chaves. Apesar dos desafios, Enivaldo empreendeu uma administração baseada na transparência, na participação popular, na assistência a populações desfavorecidas e na criação de infraestrutura para as atividades econômicas já existentes, notadamente ligadas à agricultura, e lançou as bases para o futuro criando o polo industrial na localidade de Três Vendas.

A cidade prosperou sob sua gestão e Enivaldo se projetou na política estadual. Em 1992, passou os últimos meses da administração para seu vice Jaime Nery da Silveira, assumiu a Secretaria de Estado do Interior e elegeu seu sucessor, José Lauer. Em 1994, depois de ensaiar uma candidatura a governador, Enivaldo foi eleito deputado estadual pelo PDT com 10.044 votos, dobrando a votação em 1998 e reelegendo-se com 20.910 votos, o quarto deputado estadual mais votado do Estado naquele ano.

No ano de 2000, foi indicado pela Assembleia Legislativa para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do Espírito Santo. Enganou-se quem pensou que isso, como de praxe para outros políticos, significava o fim da carreira político-eleitoral de Enivaldo dos Anjos. Em 2010, ele aposentou-se como servidor público, deixou o TCE, mesmo tendo direito a permanecer, à época, mais dez anos no cargo, foi convidado a organizar o PSD no Estado e foi eleito suplente de senador na chapa de Magno Malta.

Em 2012, Enivaldo experimentou sua primeira derrota desde 1986. Candidatou-se a prefeito de Barra de São Francisco, obteve 12.131 votos, mas perdeu a eleição para Luciano Pereira (DEM), que teve 12.557 votos – uma diferença de apenas 426 votos. Não desistiu, e em 2014 elegeu-se deputado estadual com 18.625 votos. Cumpriu o mandato com a energia de um estreante, destacando-se na presidência de duas CPIs na Assembleia Legislativa – da Máfia dos Guinchos e da Sonegação de Impostos no Espírito Santo.

Incentivado por lideranças estaduais, transferiu seu domicílio eleitoral para Vitória e lançou-se candidato a prefeito em 2016 pelo PSD. Porém, acabou por se retirar do processo eleitoral por pressão da direção nacional, que havia feito acordos com o então governador Paulo Hartung.

VOLTA ÀS BASES

Dedicou-se a fortalecer sua base regional no Noroeste do Estado em 2016 e, em Barra de São Francisco, apoiou a candidatura a prefeito do professor Alencar Marim, que se tornou o único chefe de Executivo eleito pelo PT no Espírito Santo com 15.313 votos, derrotando o então prefeito Luciano Pereira (DEM), que era candidato à reeleição e teve 9.305 votos.

Em 2018, já com sua base política regional recomposta, com o apoio de vários prefeitos (o que não ocorrera em 2014), Enivaldo dos Anjos foi um dos poucos deputados estaduais com mandato a ter crescimento em sua votação, reelegendo-se com 24.202 votos, apoiando a eleição do governador Renato Casagrande (PSB).

Pressionado por suas bases regionais, transferiu seu domicílio eleitoral de volta para Barra de São Francisco e habilitou-se a candidatar-se a prefeito, o que, efetivamente, anunciou em meados do ano e, apesar das limitações impostas pela pandemia da Covid-19, despertou o eleitorado e passou a obter expressivo apoio político de várias legendas.

O prefeito Alencar Marim, diante do anúncio de seu padrinho nas eleições de 2016, num gesto de lealdade, anunciou que não disputaria a reeleição. Assim, o caminho foi aberto, sem divisões internas, para Enivaldo dos Anjos consumar seu projeto e conquistar, de novo, a prefeitura de sua cidade, três décadas depois de governá-la.

LUIZ DURÃO ASSUME

Com a eleição de Enivaldo dos Anjos para prefeito em Barra de São Francisco, quem vai assumir uma vaga de deputado estadual no próximo ano, na Assembleia Legislativa, é o suplente Luiz Durão, ex-prefeito de Linhares. Formado em Direito, Luiz Durão foi eleito prefeito de Linhares por dois mandatos (1978 e 1988).

Luiz Durão exerceu por duas vezes o cargo de deputado federal (1995 e 2001, nessa última assumindo como suplente). Foi eleito deputado estadual (2010) e, na condição de suplente, com 20.969 votos em 2014, assumiu por duas vezes na legislatura 2016 e 2018. Na eleição de 2018, teve 17.820 votos e ficou com o primeiro suplente pelo PDT na coligação em que se elegeu Enivaldo dos Anjos.