Enivaldo dos Anjos: “Tem empresas criando fortunas em Colatina e Linhares vendendo veneno”

529
Este é o deputado estadual Enivaldo dos Anjos. Este tem café no bule.
Este é o deputado estadual Enivaldo dos Anjos. Este tem café no bule

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) viveu mais um dia de expediente descolado dos anseios e necessidades da população capixaba na segunda-feira (02/03/2015), quando manteve o veto do governo do Estado à determinação de indicação sobre o uso de agrotóxicos nos alimentos comercializados no Estado. O projeto de lei nº 133/2014 é de autoria do ex-deputado Cláudio Vereza (PT).

Longe de ser tema dos grandes centros produtores de alimentos, o envenenamento por agrotóxicos permeia a saúde (ou a falta dela) dos capixabas. Tanto que o Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) montou um Parque Experimental de Pesquisas em Saneamento.

Os pesquisadores da Ufes já identificaram que o Espírito Santo é o terceiro estado do país na aplicação de agroquímicos, sendo glifosato e 2,4 D os herbicidas mais utilizados nas culturas de banana, café e capina química.

Os agrotóxicos são encontrados em mananciais em concentração pequena, são relativamente persistentes e sua ingestão está associada a problemas de saúde que incluem câncer, desordens do sistema nervoso e esterilidade.

Inconcebível para o cidadão o veto às informações sobre a composição dos alimentos de consumo diário. Mas não para os deputados, que deram 16 votos para manter a população sem saber o que come. Oito parlamentares tentaram aprovar a inclusão da descrição dos agrotóxicos nos rótulos, mas foram vencidos.

Ironia é que, depois de ingerido, o agrotóxico iguala vencedores e vencidos no risco ao qual submetem suas famílias toda vez que sentam-se à mesa. Aos vencedores, as batatas (mas cuidado com a carga de agrotóxicos).

Luminárias

A crise da água é o tema da audiência pública agendada para a próxima terça-feira (10) na Assembleia Legislativa. O convidado é o Secretário de Estado da Agricultura. Ele vai tratar da falta de água no Espírito Santo e seus efeitos na economia capixaba, em especial na agricultura. Marque na agenda e compareça ao Plenário Dirceu Cardoso, às 10 horas.

O projeto do ex-deputado Cláudio Vereza (PT) não morreu de vez. Tal qual uma erva que resiste ao veneno, a ideia foi encampada pelo petista José Carlos Nunes, que prometeu remodelar o projeto de lei sem as causas do veto e protocolar no Poder Legislativo.

“Vamos encontrar juntos aos profissionais da Ales mecanismos para trazer para nossa responsabilidade e substituir esses entraves”, disse. A dúvida é saber o quanto o projeto será desfigurado.

O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) foi mais longe e sugeriu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para debater o uso dos agrotóxicos nas lavouras capixabas.

Enivaldo repetiu sua performance diária nas sessões e engrossou a voz para falar de comerciantes, produtores e governo do Estado, atribuindo responsabilidades a cada um dos agentes.

“É um assunto que passa o tempo e ninguém resolve, acontece aos olhos das autoridades que não tomam providências”, disse Enivaldo, que revelou um episódio ocorrido no interior capixaba. “Em Marilândia um produtor de café me disse que teve que fechar os vidros do carro por causa de um outro que estava batendo agrotóxico sem proteção nenhuma”, alarmou.

* O deputado Enivaldo denunciou: “Tem empresas criando fortunas em Colatina e Linhares vendendo veneno, e ninguém toma providências”, encerra ele.

Por: Gilberto Medeiros (gmedeiros@leiase.com.br)