Enivaldo dos Anjos apoia alunos contra fim de curso de técnico ambiental

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O deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) vai apoiar o movimento dos alunos da Escola Almirante Barroso, de Goiabeiras, em Vitória, contra o fim do curso de Técnico Ambiental. Os alunos participaram do Seminário em comemoração ao Dia Estadual de Proteção ao Rio Doce, realizado na tarde desta quarta-feira (22), na Assembleia Legislativa, e ao final pediram o apoio do parlamentar.

“A causa é muito justa e pedi aos alunos que façam um abaixo assinado e venham todos para a Assembleia no dia da entrega para mobilizarmos também os outros deputados. Vou acompanhá-los numa audiência com o secretário de Estado de Educação para defender a reivindicação. Precisamos incentivar a formação de novos técnicos ambientais”, disse Enivaldo.

Alunos relataram que já não estão sendo abertas novas turmas e dificuldades com a prática do que aprendem em sala de aula. Segundo eles, não existem aulas de campo, porque a escola não tem recursos financeiros para isso, e nem laboratório.

Citaram o caso específico, por exemplo, da disciplina de meteorologia, que somente veem na teoria, sem nenhuma prática. CRIME Durante o seminário, do qual os alunos participaram atentos e fizeram perguntas ao final, a representante do Fórum Capixaba de Proteção ao Rio Doce, a ativista social fez um manifesto contundente, enumerando 14 pontos de reivindicação, dentre eles de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o desastre causado pelo rompimento da barragem do Fundão, em Mariana.

Na abertura do seminário, o procurador Jorge Munhós fez uma explanação sobre as investigações do Ministério Público Federal e foi taxativo em dizer que os trabalhos não terminaram e que “está claro o crime cometido, contra a vida e contra o meio-ambiente, pela Samarco e pelas suas controladoras, a Vale e a BHP”.

Munhós enfatizou também a responsabilidade individual desde os gerentes até a alta cúpula da Samarco e defendeu que sejam julgados por júri popular por causa das 19 mortes provocadas pelo desastre, bem como pelas lesões corporais contra os que se feriram, sem prejuízo de outras ações por outras responsabilidades.

O público acompanhou atentamente a exposição e se surpreendeu com as fotos anexadas à denúncia do MPF. “Isso não foi acidente. Desde 2009 a barragem começou a dar sinais de problemas e isso foi se repetindo ao longo dos anos. Meses antes do seu rompimento, um documento interno, ao qual o Ministério Público teve acesso, demonstra que o risco de rompimento era iminente e já previa os danos, inclusive a possibilidade de se perderem de duas a 20 vidas, e perdemos 19. Ou seja, eles sabiam o tempo inteiro que a barragem iria se romper”, disse o procurador.

O assessor especial da Secretaria de Estado de Meio-Ambiente (Seamma), Leonardo Deptulski, fez uma apresentação sobre as ações e projetos em execução para recuperação do Rio Doce, e o diretor do Conselho do Instituto Terra, Robson de Almeida Melo, mostrou o trabaho da ONG e o projeto de recuperação de nascentes contratado pela Fundação Renova, criada pela Samarco para atuar nessa área.

O seminário teve também uma fala do ambientalista Eraylton Moreschi Júnior, da Juntos – SOS ES Ambiental, que fez um manifesto contra o fim do Iema e leu a nota de alerta da Diocese de Colatina aos atingidos pela lama da Samarco para não assinarem acordo direto com a Samarco.