Enivaldo diz que prisão de Anderson Pedroni teve cunho político

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O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) usou a tribuna da Assembleia na manhã desta quarta-feira (22) para criticar a operação da Polícia Civil que culminou com a prisão do candidato a prefeito de Fundão mais votado nas eleições de outubro último, Anderson Pedroni, seu colega de partido, nessa terça-feira (21). Para o parlamentar, a polícia foi usada como braço político por opositores de Pedroni. “Ele teve 80% dos votos, mas existem mãos cabeludas dentro da Polícia Civil tentando ultrajar as pessoas, desrespeitando e interferindo no processo eleitoral”, disse.

A acusação da Polícia Civil teria como motivo um suposto pagamento de propina de Pedroni a vereadores, em 2011, para que eles aprovassem uma proposição este ano que abriria prazo extraordinário para que ele se defendesse da rejeição das contas do período em que assumiu a prefeitura interinamente.

Essa matéria poderia permitir que ele assumisse a administração municipal, pois, apesar de eleito, Pedroni foi impedido de assumir a prefeitura pela Justiça Eleitoral. Enivaldo afirmou que vai entrar com uma representação contra as ações da polícia e acusou a instituição de usar o “guardião” para fazer escutas telefônicas sem autorização da Justiça.

“Ele é usado por elementos para tentar pressionar as pessoas e influir no processo eleitoral. A Assembleia tem culpa nisso, pois não conseguimos votar ainda uma auditoria desse guardião para saber quem está gravando quem”, ponderou, referindo-se ao Projeto de Lei 229/2015, de sua autoria, que prevê uma auditoria no sistema junto com outras instituições.

Escutas ilegais

Outro parlamentar a se manifestar sobre o tema foi Theodorico Ferraço (DEM). Ele lembrou que Sandro Locutor (Pros) havia denunciado à Mesa, na época presidida por ele, a existência de escutas ilegais, inclusive contra deputados. “Começamos a trabalhar sobre isso. A gente precisa saber se as gravações são todas autorizadas pela Justiça”, afirmou.

José Esmeraldo (PMDB) também se pronunciou contra as escutas ilegais. O deputado falou que iria apoiar o projeto de Enivaldo que prevê a realização de auditorias no Guardião. “Vou fiscalizar esse projeto aqui. (…) É inadmissível que sem autorização da Justiça eles gravem nossa fala”, disparou.

Enivaldo ainda informou que o projeto estava na Comissão de Cidadania com o deputado Nunes (PT). O parlamentar, então, pediu a palavra para dizer que o projeto chegou ao colegiado no dia 12 de dezembro, mas que, por causa do período de recesso na Casa e do processo eleitoral das comissões, a proposição ainda não havia sido analisada. “Assim que retornar a comissão iremos fazer o projeto caminhar”, prometeu.