Enivaldo defende ação do Exército e condena uso político de greve da PM

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Enivaldo dos Anjos

A atuação da Força Nacional e do Exército nas ruas da Grande Vitória, mesmo à custa de congestionamentos em alguns momentos do dia, foi defendida pelo deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) da tribuna da Assembleia Legislativa, ao mesmo tempo em que condenou aqueles que estão fazendo uso político do movimento da Polícia Militar, que ele considera justo, mas não na forma.
“A estratégia usada pela Força Nacional e pelo Exército no momento no Estado evidente que é de se mostrar nas ruas para criar sensação de segurança para a população não se sentir aprisionada como estava. Está claro que tem gente querendo desviar o foco da greve para o foco político, a ponto de um ex-deputado vir aqui no plenário defender a PM e querendo cobrar posições de deputados, como se tivesse esse direito”, observou.
Para Enivaldo, “muita gente não está querendo discutir segurança pública e salário, mas eleição estadual, querendo descredenciar quem tem mandato, até mesmo deputado”. Embora ache a greve da PM justa e de direito, Enivaldo salientou que tem que ficar ao lado da população, cujos interesses “estão acima de quaisquer outros interesses pessoais ou corporativos”.
“Mesmo que a Constituição diga que os policiais não podem fazer greve, eu acho que ela é justa, porque eles acham que ganham pouco e têm o direito de se manifestar. O que eu não entendo é porque, se o salário é pouco, um grupo de concursados de 1996 tenha vindo aqui na Assembleia pedir pelo amor de Deus para serem nomeados. Se o salário está tão baixo, porque tem gente querendo entrar?”, questionou.
Direito coletivo
O deputado, entretanto, enfatizou que não quer se ater ao aspecto do direito dos servidores, mas sim o da coletividade: “A população tem direito de ir e vir, de levar os filhos para a escola, e isso foi negado por um movimento de greve. Não querdo discutir se fizeram certo ou exageraram. Para mim qualquer categoria tem direito de fazer movimento em favor de melhoria de salário e trabalho, o que não pode é querer controlar o Estado para não tomar providência para atender à população”.
E foi ainda mais incisivo: “Se eu fosse governador, convocava o Exército e a Força Nacional logo no primeiro dia, porque o Estado é obrigado a garantir a segurança da população. É justo que os policiais parem, mas não podem impedir o Estado de manter a segurança da população, porque esse é um direito que ninguém pode tirar. Nenhum segmento de servidores pode querem colocar a população de joelhos. Imagina se o pessoal da Cesan não fornecer água? Se as enfermeiras não atenderem os pacientes? O governo não vai tomar providências?”
Enivaldo disse que o caráter da greve precisa ser “responsável e pedagógico”, e voltou a tocar no mesmo tema: “Se uma categoria se nega a sair do quartel para transmitir sua necessidade, o Estado não vai buscar as forças policiais disponíveis para garantir a população? Quem já esqueceu do que o Estado viveu na semana passada? Mais de 150 pessoas mortas, algumas delas sob suspeita de serem executadas por milícias de policiais, alguns setores da bandidagem acionados por setores policiais. Eu falo e garanto. Manda me questionar que eu vou dizer quem está fazendo isso”.
O deputado continuou falando de sua suspeição: “Não existe lógica em que carros sejam roubados num dia e no outro serem encontrados em lugares diferentes, só para fazer uma estatística de assombrar. Então, temos que ter gente que defenda os trabalhadores, mas pessoas honradas que também defendam a população. Não é por causa de uma greve de uma categoria que tem que se permitir matar pessoas, aprisionar crianças em casa, faltar suprimentos nos supermercados”.
Para o deputado Enivaldo dos Anjos, o Estado tem a obrigação de ser firme para manter a ordem pública e disse sentir tristeza ao ver parlamentares “se aproveitarem desses momentos de dificuldades coletivas para tentar fazer processo político-eleitoral de enfraquecimento de uns e crescimento de outros. Falta cidadania e atitude em favor do bem coletivo. E o bem coletivo hoje é a segurança da população, que é maior do que qualquer interesse de categoria”.
Dos Anjos disse ter estranhado que órgãos públicos tenham sido os primeiros a fechar, voltando as costas para a população: “Não podemos ter um Estado com o Tribunal de Justiça fechado, o Ministério Público fechado. É hilário, porque quem deveria partir para cima para resolver a greve fechou as portas. Onde estão os juízes e os promotores? É preciso que autoridades parem de fazer politicagem e ajam. Esse é um estado em que a população ficou totalmente rendida, como nunca antes no Espírito Santo. Tudo fechado. E muitos saqueados. Isso tudo para dizer que uma categoria tem direito a melhoria de trabalho e de salário”.
Intromissão
Enivaldo defendeu que haja mais responsabilidade por parte de todas as pessoas, e voltou a atacar a intromissão de agentes políticos na liberdade de manifestação dos deputados: “Vêm aqui pressionar a Assembleia para defender quem não faz atitude incorreta. Que coisa legal é essa? Qual é o direito que eles têm de achar que o Poder tem que seguir sua opinião contrária ao bem comum? O interesse coletivo está acima de todos os direitos individuais ou de corporações”.
E foi contundente: !”Agora vêm dizer que o Exército está atrapalhando o trânsito. E daí? Na semana passada, nem trânsito tinha na cidade, porque estava todo mundo dentro de casa com medo dos bandidos. A crítica deve ser respeitada, porque cada um é responsável pelo que fala, mas a população tem que ser direcionada para o correto, e o correto hoje é permitir segurança, e não esse terrorismo político que afetou o nome do Estado do Espírito Santo, reconstruído com esforço ao longo dos anos”.
O deputado convocou a Assembleia a reagir: “Temos que reagir a essas pretensões de falácia política e denunciá-las, porque muitos querem aparecer a qualquer custo, mesmo que sobre a miséria, a intranquilidade e o desespero que a população passou. A sociedade é que tem que ser defendida, e não segmentos políticos ou de categorias. Cada um tem que ter responsabilidade pelo que faz. Se faz certo, merece elogio; se faz errado, merece punição”.