Enivaldo: “Crise é oportunidade para democracia ficar mais forte”

411

DSC03660O deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) invocou o “espírito da Semana Santa” para pedir que haja bom senso dos brasileiros nesse momento delicado de “política, econômica e ética, aspectos que se inter-relacionam, e, consequentemente, é uma crise para ser solucionada dentro desses ambientes, principalmente o ambiente político e jurídico”.

O parlamentar discursou na sessão desta tarde de terça feira, 22/03/2016 na Assembleia Legislativa fazendo uma relação entre a corrupção dos tempos de Jesus e dos dias atuais e criticou aqueles que se aproveitam do momento delicado para pedir intervenção militar.

“Nesses mais de dois mil anos que nos separam desse momento histórico – um evento local que ganhou projeção mundial, num tempo sem internet e sem redes sociais, unicamente pela fé de seus seguidores – parece que a única coisa a mudar foi a evolução técnico–científica–informacional da humanidade. O homem parece continuar o mesmo”, disse Enivaldo.

Para o deputado Enivaldo dos Anjos, há uma co-responsabilidade de toda a população na crise: “O que temos hoje são modos mais sofisticados de cometer a mesma corrupção que Jesus condenou quando andou entre nós, e que tão, fortemente, combateu. Lamentável é que até mesmo pessoas que se dizem suas seguidoras se assemelhem hoje aos hipócritas que, em seu tempo, Jesus desmascarou”.

E completou: “Temos diante de nós um mar de lamas sem precedentes na história do País. E isso não é privilégio de um partido, todos somos co-responsáveis, na medida em que escolhemos os nossos governantes e os nossos representantes no Parlamento. Afinal, vivemos no estado democrático de direito, embora seja verdade que somos, ainda, aprendizes da democracia”.

Mãos limpas

A fase 26 da Operação Lava-Jato, executada na manhã desta terça-feira (22), foi citada pelo deputado Enivaldo, que comparou a Lava-Jato à Operação Mãos Limpas, “que na década de 90 atacou o coração da corrupção italiana”. Enivaldo dos Anjos duvidou das intenções de quem fala em intervenção militar e salientou:

“Felizmente, a democracia brasileira está muito mais amadurecida. Se nas três décadas que antecederam 1964, somente um presidente eleito pelo povo completou seu mandato dentro de relativa normalidade, hoje nós temos quase três décadas de experiência democrática.

Depusemos o primeiro presidente eleito depois da longa noite da ditadura militar, mas três deles cumpriram seus mandatos até o final, sendo que dois, Fernando Henrique e Lula, cumpriram oito anos, em dois mandatos.

Dilma fechou seu primeiro mandato e não se sabe se terminará o segundo, tamanho o clamor das ruas contra a onda de corrupção revelada pela Operação Lava Jato”. Na avaliação de Enivaldo dos Anjos, independente do que acontecer, “o Brasil saberá encontrar uma solução institucional para essa crise”.

E mencionou discurso do comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, num simpósio jurídico realizado no Comando Militar da Amazônia, em Manaus, na última semana, quando o oficial lamentou “o clamor por intervenção militar feito por uns poucos manifestantes, nos atos anti-governistas”.

Nas palavras do general Villas Boas, citadas por Enivaldo dos Anjos, é “lamentável que, num país democrático como o Brasil, as pessoas só encontrem nas Forças Armadas uma possibilidade de solução da crise, mas isto não é extensivo nem generalizado e, felizmente, está diminuindo bastante a demanda por intervenção militar”.

De acordo com o jornal A Crítica, de Manaus, o general ponderou que esse pedido demonstra certas necessidades do país, como valores éticos e morais, e padrão de eficiência de que a sociedade se sente tão carente, valores esses dos quais as Forças Armadas são referência, de acordo com o comandante do Exército.

O próprio general Villas Boas é taxativo ao dizer que a situação política e social atual não se relaciona com o clima instável que levou ao regime ditatorial militar na década de 60. “Primeiro, porque hoje nós não temos o fator ideológico. Naquela época, nós vivíamos a situação de Guerra Fria e a sociedade brasileira cometeu o erro de permitir que a linha de fratura da Guerra Fria a dividisse.

Isso não existe mais, é a leitura do general e a nossa também. O segundo aspecto é que hoje o Brasil tem instituições sólidas e amadurecidas, com capacidade de encontrar os caminhos para a saída dessa crise”.

Oportunidade

Por fim, o deputado Enivaldo dos Anjos voltou a invocar o espírito pascoalino como uma “oportunidade para que todos nós, brasileiros, reflitamos para a necessidade de termos bom senso”.

“Independente de nossas convicções políticas, para entendermos a mensagem de Paz do Cristo, fazendo do momento de crise uma oportunidade para tornarmos a nação mais fortalecida e madura. E que a democracia seja um valor inalienável e inegociável nos balcões das falcatruas.

Que todos os culpados sejam, exemplarmente, punidos, independente da cor partidária que defendam, e que o Brasil erga a sua cabeça diante do mundo como um País que sabe muito bem cuidar de sua casa”, finalizou Enivaldo.