Enivaldo ameaça rescindir contrato de clínica contratada pela prefeitura

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Em meio ao crescimento do número de pessoas com Covid-19, uma empresa que presta serviços para Prefeitura de Barra de São Francisco foi denunciada em Boletim de Ocorrência na 14ª Delegacia de Polícia Civil e no Ministério Público Estadual por deixar no meio da rua, em filas, expostas ao sol por mais de duas horas, as pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus e encaminhadas para fazerem exame de raios-x.

O prefeito eleito, Enivaldo dos Anjos (PSD), tão logo tomou conhecimento do caso, disse que vai rescindir o contrato da clínica Densiton Diagnóstico por Imagem no dia 2 de janeiro, se a empresa não cessar, imediatamente, com o mau atendimento à população, “e não providenciar um local decente para atender à população”.

Enivaldo dos Anjos, que assume a prefeitura no próximo dia 1º, disse que não vai admitir que haja um tratamento dessa natureza à população: “A Prefeitura contratou essa empresa para fazer esse serviço e eles se instalaram num local pequeno, sem nenhuma estrutura e colocam as pessoas no meio da rua, sem cadeira, no sol. Tomei conhecimento dessa situação e, se a clínica não providenciar imediatamente um local para receber as pessoas com dignidade, no dia 2 de janeiro o contrato estará rescindido e o município vai contratar outro prestador desse serviço”.

Segundo o prefeito eleito, “a empresa contratada pela Prefeitura está prestando um serviço público à população e recebendo muito bem por isso. Tem que prestar serviço de qualidade. As pessoas estão sendo submetidas a uma doença fatal como essa e ainda são humilhadas, jogadas na porta da rua. A prefeitura está pagando e a empresa está tendo lucro, mas não está tendo o menor respeito pelas pessoas. Isso não vai continuar acontecendo”.

DRAMA EM FAMÍLIA

A denúncia contra a Densiton foi feita pela inspetora penitenciária Mirian Rodrigues Costa Batalha, 35 anos, depois de ser constrangida por funcionários da clínica de diagnósticos por imagens para sair da sala de atendimento e esperar no meio da rua, junto a outras pessoas na mesma situação. Houve bate-boca, a inspetora ameaçou chamar a polícia e acabou ficando na sala.

Nas redes sociais, muita gente prestou solidariedade a Mirian, que relatou o problema que viveu. “Somos eu, meu marido, que é policial militar, e dois filhos. Somente o menino, de 14 anos, não pegou Covid, graças a Deus. Eu, meu marido e minha filha de 3 anos estamos diagnosticados com a doença. Ela está passando muito mal, com diarreia e febre alta, eu também estou passando muito mal, com muita tosse”, disse Mirian.

A situação pior é do marido, o PM Ronaldo Batalha de Barros, 44 anos: “Meu marido está internado. Ele foi o primeiro a pegar. Tinha passado pelo hospital e foi fazer o raio-x no dia anterior, dia 2. Desmaiou naquela fila desumana e foi socorrido pelas outras pessoas e teve que voltar para o hospital com falta de ar. Agora, estamos tentando a transferência dele para um hospital de referência em Covid”.

Segundo a inspetora penitenciária, o seu marido está com comprometimento de 25% a 50% do pulmão. No início da noite desta sexta-feira (4), o policial militar foi transferido para Colatina.

O caso com Mirian Rodrigues aconteceu na última quinta-feira (3 de dezembro): “Na noite anterior passei muito mal e minha filha também. Procurei a médica de referência de Covid e ela diagnosticou que tanto eu quanto minha filha também estávamos contaminadas.

Fui com ela para a clínica fazer raio-x, porque não poderia deixa-la com ninguém, para não continuar a rede de contágio. Cheguei, a porta estava fechada, bati e, quando bati, abriram e eu entrei e sentei”.

Foi nessa hora, segundo Mirian, que começou o problema: “A moça que me atendeu disse que eu não poderia ficar lá dentro, teria que esperar do lado de fora. Falei que minha família toda estava infectada, ela falou que tinha seis pessoas na minha frente e que eu tinha de ficar lá fora, porque na sala tinha mais dois clientes que não estavam com Covid e eu não poderia ficar lá. Falei que não sairia e que iria esperar sentada lá dentro. Ela chamou outra funcionária, que já chegou gritando comigo. Eu disse que não sairia até ser atendida e que, se eles insistissem que chamaria a polícia”.

Mirian relatou que os funcionários da clínica ainda expuseram-na aos outros pacientes: “Fui tratada igual a cachorro e ela falou com os outros pacientes que eu estava com Covid e que eles seriam contaminados por mim. Eu falei que não tinha condições de ficar com minha filha no sol quente. Então, ela disse que iria demorar umas duas horas. Insisti e fiquei na sala. Elas pediram aos outros pacientes, que não eram de Covid, para saírem da sala e eles ficaram lá fora no sol, junto com outros pacientes de Covid”.

Mirian disse entender que não pode submeter outras pessoas ao risco, mas chamou a atenção para a responsabilidade da clínica no caso: “Eu estava seguindo todo o protocolo, de luvas e máscaras. E, ademais, não sou eu que tenho que ficar no sol, são eles que têm que providenciar um lugar com isolamento então, porque estão recebendo muito dinheiro da prefeitura para isso”.