Eleições municipais: O mapa eleitoral de Colatina

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12Seca de chuvas e de recursos, rio e caixa da cidade muito rasos, mas uma urna eletrônica com chuva de candidatos a prefeito. Se a eleição municipal de 2016 fosse hoje, esse seria o cenário em Colatina. Desde 2009 sentado na cadeira de prefeito da cidade mais importante do Noroeste, Leonardo Deptulski (PT) chega muito desgastado à reta final do segundo mandato, o que abre um vácuo de poder que muitos se aquecem para ocupar.

Destacando-se dos demais, dois grandes blocos hoje polarizam o quadro pré-eleitoral, liderados por ex-aliados que podem colidir na disputa: de um lado, o grupo do ex-prefeito Guerino Balestrassi (PSDB), fortemente ligado a Deptulski e ao governador Paulo Hartung (PMDB); do outro, o PSB do deputado federal Paulo Foletto, sigla que tem tradição na cidade e hoje faz oposição aberta à adminitração municipal.

O PSB já decidiu que terá candidato: o ex-secretário estadual de Saúde Tadeu Marino ou o próprio Foletto, hoje presidente estadual da sigla e nome muito mais provável. O deputado admite querer ser candidato, e Tadeu reconhece que o nome do outro é prioritário, mas se coloca de prontidão.

Enquanto isso, do lado de Guerino, ele mesmo não se coloca como candidato e lista outros nomes viáveis no PSDB. Entre eles, cita o presidente da Findes, Marcos Guerra, o secretário municipal de Transportes, Renann Bragatto, e o empresário do setor moveleiro Manoel Giacomin. Mas não falta quem acredite que a principal aposta do ex-prefeito é outro empresário tradicional da cidade: Edvaldo Vieira, que passaria do PP ao PSDB.

O PT também deve ter candidatura própria, apesar do desgaste – ou talvez justamente por isso, já que o partido deve ser golpeado de todos os lados na campanha e precisaria defender sozinho seu legado e seu patrimônio na cidade.

Vereador de Colatina de 2001 a 2010, o presidente estadual do PT, Genivaldo Lievore, afirma que é pré-candidato, seguindo diretriz do Diretório Nacional de concorrer em todas as cidades-polo. Segundo ele, a partir de agora, o partido vai intensificar as conversas com os outros que integram o governo de Deptulski, o que inclui o PSDB. Embora menos provável, uma composição com o grupo de Guerino não pode ser descartada.

Quem também ensaia lançar candidato é o PMDB – hoje também na gestão de Deptulski, com o vice-prefeito Alécio Sesana. Além dele, os mais cotados são o ex-deputado federal Marcelino Fraga e o vereador Sérgio Meneguelli, campeão de votos em 2012 e crítico assíduo da atual administração.

Marcelino diz que pode ser candidato, desde que seja para representar uma chapa de oposição ao grupo que comanda a cidade há 15 anos, o que exclui uma aliança com o PSDB. Mas hoje muitos apostam justamente na consolidação de uma parceria entre PMDB e PSDB, costurada com a agulha de Paulo Hartung, de quem Marcelino é desafeto. Já no caso de Meneguelli – que busca se viabilizar –, é possível que, se o PMDB não lhe der legenda, o vereador passe para um partido menor onde possa crescer mais.

É a primeira vez em muito tempo que os colatinenses chegam a este ponto do processo com semelhante grau de indefinição. Mas muitas águas, pelo menos políticas, vão rolar até a campanha.

Também no páreo

Correndo por fora, outros políticos de Colatina também teriam interesse em se lançar na disputa a prefeito da cidade: o radialista Cirilo de Tarso (PCdoB), vice-prefeito de Leonardo Deptulski no 1º mandato (2009-2012) e hoje rompido com ele; o vereador Renzo de Vasconcelos (PPS), filho do dono do Unesc; o diretor-geral da Fundação Castelo Branco, Luciano Merlo, e o empresário e ex-deputado estadual Eval Galazi (DEM).

Da Vitória fora

Enquanto isso, o deputado estadual Josias da Vitória (PDT) diz não querer voltar a disputar a prefeitura em 2016. Garante que seu projeto é chegar à Câmara dos Deputados em 2018. Mas está falando com quase todos. O único veto é ao PT.

Única hipótese

Neste momento, o único fato que poderia levar Paulo Foletto a deixar de concorrer em Colatina seria uma candidatura de Renato Casagrande em Vitória. Nesse caso, Foletto teria que assumir o papel inicialmente reservado ao ex-governador: o de percorrer o Estado, conduzindo as costuras e impulsionando as candidaturas do PSB nos demais municípios.

Revanche à vista

Para Foletto e o PSB, seria a chance de ir à desforra com Guerino Balestrassi. Entre 2001 e 2008, o partido governou Colatina com Guerino, porém, na eleição de 2008, veio a ruptura. Na ocasião, o PSB decidiu lançar Foletto à sucessão do então prefeito, mas Guerino peitou o próprio partido e bancou a candididatura do seu então vice-prefeito, Leonardo Deptulski. Pelas mãos do padrinho político, o petista se elegeu, derrotando Foletto nas urnas.

Cena política

A Assembleia Legislativa votou, na última semana, veto do governador PH a projeto de autoria do deputado da base Hércules Silveira que instituía regras para a identificação dos veículos oficiais a serviço do Poder Executivo. Antes da derrubada do veto, Hércules se absteve de defender a proposta, alegando que o governo já se comprometera a enviar projeto de iniciativa própria com o mesmo objetivo.

A explicação inspirou reação incrédula por parte de Enivaldo dos Anjos: “Duvido! Se esse projeto chegar aqui, eu juro que vou engolir a folha do projeto. E sem direito a beber água!”

Fonte: Coluna Praça Oito de A Gazeta desta quarta-feira, 4 de novembro de 2015