Deputado diz que Ministro tripudia sobre corpos das vítimas de Mariana

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Ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho e o deputado Enivaldo dos Anjos

Em tom duro, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD-ES) divulgou uma Nota de Repúdio na tarde desta quinta-feira (21) contra as declarações do ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, que chamou de “fatalidade” e “acidente” a tragédia de Mariana, isentando a Samarco Mineração de Responsabilidade.

Para Enivaldo, o ministro “tripudia sobre a inteligência do brasileiro e sobre os corpos das 19 vítimas fatais da tragédia, cujo custo é 20 vezes maior do que o da usina nuclear de Chernobyl, ocorrida em 1986” e lembra que a força tarefa do Ministério Público Federal apurou, com base em documentos da própria Samarco, que a empresa sabia, seis anos antes, dos ricos de rompimento da barragem.

“Seis meses antes da tragédia, auditores contratados pela empresa alertaram para o iminente desastre e até previram o número de mortes, mas a empresa nada fez para evitar a tragédia e isso o Ministro Fernando Coelho parece desconhecer”, disse Enivaldo.

A tragédia de Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de destruição e morte. No início de agosto último, o Fórum Parlamentar de Desenvolvimento Sustentável, promovido pelas Câmaras de Vereadores de Baixo Guandu e Resplendor e pela CIPE Rio Doce (colegiado biestadual, formado por parlamentares do Espírito Santo e Minas Gerais), divulgou uma Carta cobrando a responsabilização da Samarco, Vale e BHP por reparar, integralmente, os danos causados pelo desastre.

NOTA DE REPÚDIO

Chamar de cínico o ministro Fernando Coelho Filho, das Minas e Energia, depois do que ele disse sobre a tragédia de Mariana, durante um seminário nos Estados Unidos, é ofender os seguidores dos filósofos gregos Antístenes e Diógenes, que criaram essa escola de comportamento 500 anos antes de Cristo.

Melhor dizer que Fernando Coelho, ao dizer em Nova York que a tragédia de Mariana foi uma “fatalidade”, um “acidente” que não se pode prever, é um escarnecedor.

Aliás, as palavras do ministro Fernando Coelho acerca da maior irresponsabilidade da história do Brasil, cometida pela Samarco e suas proprietárias, Vale e BHP, representam um governo que não vive, apenas vegeta. Dizer que o crime da Samarco foi uma “fatalidade” é tripudiar sobre a inteligência do brasileiro e sobre os corpos das 19 vítimas fatais da tragédia, cujo custo é 20 vezes maior do que o da usina nuclear de Chernobyl, ocorrida em 1986. Infelizmente, as palavras do ministro no seminário promovido pelo Financial Times, e divulgadas pela imprensa, somente demonstram o descaso, a irresponsabilidade e a falta de compromisso de nossas autoridades com a verdade acerca do maior desastre ambiental de nossa história, talvez o maior do mundo. É mais um movimento para jogar a tragédia de Mariana no esquecimento.

A força tarefa do Ministério Público Federal, incumbida de apurar as causas da tragédia, demonstrou, com documentos da própria Samarco, que a empresa já sabia, seis anos antes, que sua barragem corria o risco de rompimento.

Seis meses antes da tragédia, laudos de auditores contratados pela Samarco demonstram o iminente risco de rompimento da barragem e até prevêem o número de mortos. Mas nada disso parece ser conhecido pelo Ministro das Minas e Energia.

Lamento, profundamente, que um representante do Governo Brasileiro vá ao Exterior querer limpar a imagem de uma empresa assassina. Será que no futuro teremos uma Lava Jato para eles também? Repudio, como membro do Parlamento do Estado do Espírito Santo, essa iniciativa do Ministro Fernando Coelho Filho. Enivaldo dos Anjos Deputado Estadual – PSD-ES”