Delegados contam como foi a história de medo e vingança na morte de Fabiana Pavão em Mantena

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Fabiana Pavão
Fabiana Pavão

As Polícias Militar e Polícia Civil de Mantena subiram até o conhecido Morro do Pires de Albuquerque para cumprir mandados de prisão espedidos pela justiça, sendo que ao todo foram envolvidos 15 policiais e três viaturas. Na busca pelos criminosos, durante a ação foram presos os assassinos de Fabiana Pavão. Os delegados Iure da Mota e Claudionor Batista dos Santos deram entrevista a i prensa sobre o caso.

As investigações levaram às suspeitas contra um elemento que é menor de idade, e dois maiores de idade: Gabriel Henrique Vieira, 18, e o Daniel Benedito Maldina, 18. Os levantamentos feitos pelos investigadores foram no sentido de que esses dois, Daniel e Gabriel, também participaram do homicídio do Yuri Pavão, que é sobrinho da Fabiana Pavão e que desde a morte do Yuri que a Fabiana teria dirigido ameaças pessoalmente e ou através de terceiras pessoas dizendo que iria contratar alguém para matar.

Dentre os suspeitos, Gabriel Henrique se apresentou espontaneamente e até assumiu a autoria do crime só que teria dito que praticou o crime sozinho e sem a ajuda de ninguém. Em depoimentos de testemunhas, até presenciais, contam que na verdade foram três indivíduos que participaram do crime e que usaram pedaços de pau e faca (ela foi morta a pauladas e facadas).

“É claro que a gente entendeu desde o inicio que na verdade o Gabriel pretendia, não sei, talvez de comum acordo com os comparsas dele, é de tirar a culpa dos outros e assumir esta culpa sozinho, mas, o depoimento dele não se harmoniza com os dos outros, como disse pelos depoimentos das pessoas que viram três correndo atrás dela e agredindo, inclusive uma testemunha fala que chegou a conversar com um dos três elementos, tudo isso nos fez levar a crer que o crime foi cometido pelos três, os dois maiores de idade, Gabriel e Daniel e um menor de idade (W.)”, disse um dos delegados.

Quanto ao menor de idade que foi apreendido (W.), por não se ter vagas em uma instituição, a situação do menor é bem diferente do maior de idade, só tendo vagas que pode ser encaminhado para uma instituição e por não ter essa vaga só foi colhido o depoimento dele que já foi entregue para um representante legal.

Os dois maiores, um foi preso (Daniel) e o outro se encontra foragido (Gabriel), porém o advogado já fez contato relatando que ele iria se apresentar nesta terça feira na Delegacia de Polícia Civil de Mantena.

A história de medo e vingança

Neste caso, de menores que juntos se envolveram em crimes por motivos aparentemente simples e que a partir do momento que decidiram pelo crime não tiveram mais paz, e mesmo depois de descobertos e presos e de cumprirem uma pena de internamento em instituições retornam ao convívio da sociedade para uma segunda oportunidade, onde se esperava que no mínimo tivessem tido uma reeducação, o que se vê é que voltam e pasmem, voltam a cometer os crimes e agora continuam uma sequencia, ou seja, por medo e vingança.

Na verdade não temos as respostas, estamos apenas ilustrando, pois, foi o que aconteceu com estes dois jovens de 18 anos e um outro ainda continua menor (17), que cometeram os dois crimes contra a família Pavão, onde primeiramente o sobrinho foi assassinado e depois a tia.

Os criminosos são os mesmos e a história passou a ser contada através do medo e da vingança. Duas vidas ceifadas e três jovens condenados a viverem presos, sem a liberdade e sucumbindo pelo sistema.

Na narrativa dos delegados os três envolvidos eram ainda menores quando cometeram o primeiro crime, o do sobrinho da vitima, Yure Pavão, e que a motivação do crime de Fabiana Pavão foi por vingança e medo.

“Nas alegações de Gabriel ele teria visto no dia do crime à Fabiana levar a mão para trás e ele já com medo das ameaças que ele tinha conhecimento que ela vinha fazendo ele resolveu agir”.

Informaram que vítima Fabiana Pavão ostentava joias e que talvez este não seja um dos motivadores para o crime, porém pode ter sido um dos fatores, pois, existem informações que estas joias foram subtraídas pelos autores, tornando-se assim o crime um homicídio seguido de furto.

Fabiana Pavão impunha medo aos criminosos, ela tinha uma vida agitada e intensa, no passado teve uma abordagem pela polícia do Espirito Santo quando foi autuada por furto e uma outra passagem antiga de estelionato quando usou um cheque em uma rede de supermercados, ela teria achado na rua e usado para fazer compras.

O crime

Consta nos autos que Fabiana Pavão estava na casa de um casal no morro Pires de Albuquerque, (Charles e Samara), tomando cerveja com outras pessoas, e que durante o evento estes indivíduos (autores) já chegaram com toda violência, parecendo que já foram com o proposito de matar, chegaram agredindo, inicialmente apenas com as pauladas e depois começaram a desferir golpes de faca.

Fabiana tentou fugir, porém eles correram atrás, o casal que viu a ação não teve como identificar os autores que só chegaram a vítima depois que um possível informante deu a localização de aonde Fabiana Pavão estava bebendo.

“Foi assim que eles tiveram conhecimento de que ela estava no local e que tiveram a oportunidade de resolverem todas as situações, as supostas ameaças que ela dirigia a eles, pois Fabiana teria ficado muito revoltada por terem matado o sobrinho dela, um grupo de cinco na época do primeiro crime”.

Segundo os delegados um dos envolvidos, Daniel Benedito Maldina, tem formação de tráfico (drogas) e era ele quem receberia a droga que foi apreendida em Central de Minas ( 5 kg de maconha), e que trabalhava para alguém ligado ao tráfico.

O outro menor (W.), também tem formação de tráfico (drogas), uma tentativa de homicídio quando atirou pelas costas em um rapaz “O fato foi elucidado, o Daniel foi recolhido no Presidio de Mantena, o menor (W.) aguarda vaga em instituição e foi entregue a um representante, e o advogado do Gabriel disse que ele vai se apresentar aqui na Delegacia e também será encaminhado para o Presídio de Mantena” finalizando os delegados.

Sobre o menor apreendido e que continua solto o delegado Iure da Mota foi claro “Essa vaga para ele não é fácil, pois a informação é que estes estabelecimentos que recebem menores estão sobrecarregados e dificilmente vamos conseguir uma vaga para ele agora.

É claro que em um primeiro plano queremos proteger a sociedade de indivíduos desta natureza, exemplo deste menor que em poucos meses ele tentou matar um cidadão e participou diretamente da morte de uma outra pessoa, mas, a própria vida dele se encontra em risco uma vez que existem informações que vai sofrer retaliações neste crime da Fabiana.

Então a gente protege também o menor fazendo a internação dele, mas, infelizmente a gente esbarra nesta situação de aguardar alguma vaga para ele em um estabelecimento penal”, definindo.

“Estamos realizando nosso trabalho da melhor forma possível, apesar de as vezes não possuir todo o aparato que a gente precisava, mas, a gente tem tentado fazer o máximo com os meios que a gente tem, estamos abertos a receber qualquer informação importante relativa a algum crime, nestes casos mais recentes a gente sempre se empenha para tentar resolver o quanto antes para dar uma resposta a família das vítimas e a própria sociedade” concluindo.