De iniciativa de Enivaldo dos Anjos, Livro com memórias da ditadura é relançado pela Ales

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DSC04458Dez anos após o primeiro lançamento, a Assembleia Legislativa (Ales) lança a 2ª edição do livro “Ditaduras não são eternas: memórias da resistência ao golpe de 64 no Espírito Santo”. A obra foi relançada em sessão solene no plenário Dirceu Cardoso, na noite desta quinta-feira (08/10/2015).

O livro faz uma contextualização e uma compilação de vários depoimentos de ex-presos e perseguidos políticos, colhidos em 1998 pela Comissão Especial dos Atos Praticados por Órgãos e Agentes Públicos por Motivos Políticos.

O colegiado era presidido, à época, pelo ex-deputado Claudio Vereza (PT). “Naquela época não se falava em Comissão da Verdade”, contou Vereza. Ele relatou que foi procurado por vários ex-presos políticos para que fosse realizado algum tipo de ação de resgate da memória da ditadura. Por isso, a comissão decidiu colher os depoimentos. “É uma pena que muitos destes que deram depoimentos em 1998, hoje não estão mais vivos”, lamentou.

Um dos depoentes foi o ex-preso político Perly Cipriano, que também participou do evento. “As ditaduras não são eternas, mas deixam marcas profundas. Não são só para as famílias e as pessoas, mas as instituições. A ditadura deixou endurecidos os três poderes, os partidos políticos e os sindicatos. Vemos autoritarismo que eu não vi sequer na época da ditadura. Tem muito para ser feito. Nós não conseguimos passar para a sociedade tudo aquilo que foi a ditadura”, afirmou.

Lula Rocha, presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, também se manifestou: “A gente vive uma democracia ainda muito frágil. Pessoas são torturadas em delegacias, em viaturas. Uma democracia que infelizmente ainda persegue, criminaliza militantes políticos. Em tempo de retrocesso e de discursos conservadores, precisamos reafirmar a luta pela democracia e pelo Estado democrático de direito”, defendeu.

Já Francisco Celso Calmon, coordenador nacional da Rede Brasil Memória, Verdade e Justiça, frisou quatro eixos que ainda precisam ser buscados pelo Estado e pelo País: a reparação econômica, moral e psíquica; a revelação da memória; a punição dos agentes que cometeram o crime de lesa-humanidade; e as recomendações que devem ser transformadas em realidade para que nunca mais se repita a tirania e a tortura no Brasil.

A solenidade de lançamento foi proposta pela Mesa Diretora, por meio do deputado Enivaldo dos Anjos (PSD). “A história precisa ser conhecida e reconhecida permanentemente. A gente sabe que muita coisa aconteceu para que as pessoas pudessem ter o direito de ir e vir. A ditadura militar impôs uma condição de vida sem liberdade, sem perspectiva”, disse Enivaldo dos Anjos.

A obra

A compilação dos depoimentos foi organizada pelo historiador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Miguel Marvilla (já falecido) e contou com a colaboração dos professores Ana Gabrecht, Ueber José de Oliveira e Valter Pires Pereira. A Comissão Especial da Verdade da Ales, que funcionou de junho de 2012 a janeiro de 2015, reeditou a publicação em versão ampliada.

A segunda edição da obra tem tiragem de cinco mil exemplares, que serão distribuídos para instituições e escolas públicas. No livro, são reunidos depoimentos de 40 ex-presos políticos que sofreram com a ditadura no Estado entre 1961 e 1979.

Por: Titina Cardoso/Web Ales

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