CPI da Máfia dos Guinchos pede a prisão de dois taxistas de Vitória

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Comissão da CPI com procuradores da casa
Comissão da CPI com procuradores da casa

O tempo esquentou na Assembleia Legislativa do Espírito Santo na sessão desta segunda-feira (13) da CPI da Máfia dos Guinchos, que protocolou, no meio da tarde, na Comarca da Capital, um pedido de prisão preventiva contra os taxistas Carlos Roberto Agne Filho, procurador de cinco concessões de placas de táxis em Vitória, e Josias José Cerqueira.

O pedido foi motivado pela recusa de Agne a depor perante os deputados, e pela ausência de Cerqueira, depois de convocado pela Comissão. Agne limitou-se a dizer: “Reservo-me o direito de ficar em silêncio”.

Questionado sobre a razão de sua atitude, o taxista disse que estava seguindo orientações de seu advogado. Como reação, o presidente da Comissão, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), determinou que ele fosse recolhido a uma sala isolada. “Diante de sua atitude, de negar-se a esclarecer fatos importantes à sociedade, vou pedir que o senhor espere numa sala, sem a presença do seu advogado, até que os nossos procuradores possam fazer um documento pedindo a sua prisão preventiva”, anunciou o deputado. Por muito pouco, um terceiro taxista também não teve sua prisão pedida.

Para espanto dos membros da CPI, Ataíde Mateus, que esperava do lado de fora para também depor, seguiu a mesma linha de Agne, dizendo que seu advogado mandou que ele permanecesse em silêncio, por direito, segundo ele, constitucional.

Assim, ele também foi encaminhado a uma sala, enquanto era pedida a sua prisão preventiva. Nos bastidores, o que se falava é que o seu advogado teria sido “contratado” ali fora, na hora, e, portanto, seria o mesmo do taxista Carlos Roberto Agne Filho.

Na volta, chamado novamente a depor, Ataíde Mateus resolveu esclarecer as informações por vontade própria, depois que o deputado Enivaldo dos Anjos o interpelou: “O senhor, por enquanto, não precisa de advogado, apenas está sendo intimado para dar esclarecimentos, não está sendo acusado de nada”.

Então, Ataíde resolveu colaborar: “Eu administro três placas. Alugo e contrato defensores. Uma no aeroporto, outra no Hotel Alice e uma em Cariacica, em Vila Palestina. Nas três placas os permissionários não dirigem o veículo. Nas duas primeiras, por conta da idade.

E na última, porque a pessoa mora nos Estados Unidos. A prefeitura aceita as procurações”. Quando perguntado se havia fiscalização por parte da prefeitura quanto ao fato do permissionário dirigir o veículo – é obrigatório que ele trabalhe 8 horas por dias no seu carro -, Ataíde Mateus disse que sim, mas não havia uma obrigatoriedade por parte da prefeitura: “Eles fazem a fiscalização, e pronto”. Já o taxista Carlos Roberto Agne Filho, ao ser chamado para depor pela segunda vez, ao lado de seu advogado, José Ananias Correa dos Santos, continuou alegando o seu direito de permanecer em silêncio.

“Com isso, já que o senhor está querendo obstruir os trabalhos da CPI da Máfia dos Guinchos, por pura falta de coragem, seremos obrigados a entrar na Justiça com um pedido de prisão preventiva”, explicou o deputado Enivaldo dos Anjos.

GUARAPARI

O presidente da Associação dos Taxistas e Defensores do Centro de Guarapari, Paulo Silas Vida Benevenuto, retornou à sessão da CPI nesta segunda-feira (13), de forma espontânea, acompanhado de sua advogada, Cláudia Martins da Silva, já que na sessão anterior houve várias acusações contra ele, feitas por Otávio Junior Rodrigues Postay, ex-presidente da Comissão de Licitação de Guarapari.

“Demos entrada em uma queixa-crime por calúnia e difamação. Em nenhum momento o pedido do senhor Paulo Silas foi indeferido na abertura dos envelopes, isso nem consta em ata, como comprova o documento que estamos entregando, hoje, aqui. E ele não obteve a placa a partir de 2008. Na verdade, a tem desde 1992. E gostaríamos de dizer que as acusações não são uma prerrogativa do senhor Silas, mas de toda a Associação dos Taxistas”, disse a advogada. Paulo Silvas disse que continua recebendo muitas ameaças.

“Inclusive, me disseram que tem até um grupo no WatsApp, do qual não participo, discutindo essas ameaças”, ressalta Paulo Silas. “A gente não entende porque Guarapari tem privilégios para algumas pessoas. Como o município abre uma licitação, dá concessão de placas, e simplesmente esquece de beneficiar quem já está há 24 anos na praça, isso é um poder adquirido. Mas nós não vamos desistir, até descobrir o que está acontecendo”, disse o deputado Enivaldo dos Anjos.

NÚMEROS DE DETENTORES DE PROCURAÇÕES DE PLACAS EM VITÓRIA

Alberto de Mattos Brocco 2

Almir Pereira de Souza 2

André Carlos de Amorim Pimentel 2

Artur Rossoni Sisquini 2

Ataide Mateus 3

Carlos Roberto Agne Filho 5

Leci Ribeiro Neves 3

Lecir Souza de Carvalho 2

Marilda Lima Tatagiba 2

Marlene de Souza Palma 2

Mauri Teixeira da Silva 2

Mauro Mauricio Fidencio 2

Mizael Mapele da Silva e Odisséia Rodrigues Mapele da Silva 2

Sergio Antonio Gomes 2

Thiago Monico Rossi 3

Valcimar Pereira de Souza 2

Valdir Jorge Souza 15

Vanei Rocha Vieira 3

Vantuil Brum de Oliveira 2

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