Cerca de mil Trabalhadores sem terra protestam em Colatina

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sem terraCerca de mil pessoas, mulheres na maioria, estão em manifestação desde as 6 horas da manhã desta segunda-feira (9) em Colatina, noroeste do Estado. Cobram, entre outras medidas, que a Justiça Federal e Estadual tenham mais agilidade nos processos sobre desapropriação de terras, atualmente emperrados. Também fazem a defesa da CEF e da Petrobras contra a privatização, e são contra os plantios de eucalipto.

Sem hora para acabar, a manifestação faz parte do Dia Internacional da Mulher e da Jornada Nacional de Lutas, promovidas pelas centrais sindicais e movimentos sociais em todo o país.

O relato das atividades é de Ednalva Moreira Gomes, da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Ela citou que vários processos judiciais relativos à desapropriação de terras para reforma agrária estão parados.

O movimento defende agilidade da Justiça nos processos sobre as fazendas Santa Helena, em Colatina, São Pedro, em Barra de São Francisco, Santa Maria, em Presidente Kennedy, entre vários outros.

A primeira das ações, que começaram às 6 horas, foi a paralisação do trânsito na rodovia que liga Colatina a Vitória. Com o protesto, os movimentos sociais procuravam mostrar a indignação contra a falta de políticas efetivas sobre reforma agrária e produção de alimentos. A estrada foi liberada por volta das oito horas da manhã.

À tarde, os manifestantes irão até aos órgãos da Justiça, do Ministério Público Federal e Estadual, do INSS, entre outros, fazer cobrança nas diversas áreas.

Também hoje ocorreu a ocupação da fazenda Nossa Senhora da Conceição, em Linhares. A fazenda, com 700 hectares, fica a três quilômetros da sede e é considerada improdutiva. Está ocupada por cem famílias de sem terra.

Um outro ponto do protesto foi contra a iminente aprovação dos plantios comerciais do eucalipto transgênico. Na semana passada, a Via Campesina ocupou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em Brasília, e impediu a aprovação do pedido que beneficia as empresas que usam o eucalipto, como a Aracruz Celulose (Fibria).

Mas a votação sobre o eucalipto transgênico foi só transferida e está programada para nove de abril próximo. Este eucalipto produz 20% mais que o atual, tornando mais rápida a destruição da terra e da água.

Do ato em Colatina estão participando trabalhadores rurais dos municípios de São Gabriel, Vila Valério, Colatina, Barra de São Francisco, entre outros ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), MST e Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado do Espírito Santo (Fetaes). Participam também trabalhadores ligados aos sindicatos dos bancários, dos servidores públicos, da área de limpeza, entre outros.