Casos e mortes por Covid-19 devem continuar altos por 8 semanas no ES, aponta secretário

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A grande quantidade de casos e mortes pela Covid-19 registradas diariamente no Espírito Santo deve se manter pelas próximas oito semanas. A afirmação foi passada pelo secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira (14).

“Reservem os fins de semana para atividades mais íntimas da vida doméstica, porque viveremos pelo menos mais oito semanas com uma quantidade de casos, internações e óbitos muito grandes no nosso estado. Temos a expectativa de que, ainda durante essas próximas oito semanas, nós não tenhamos condições de reduzir radicalmente a quantidade de casos, internações e óbitos. Por isso, necessitamos da contribuição de todos vocês”, disse.

Na coletiva, Nésio e o subsecretário de Vigilância Epidemiológica, Luiz Carlos Reblin, foram questionados a respeito das regras do comércio, se devem mudar ou não conforme o avanço na classificação de risco dos municípios para a Covid-19.

“É possível que, com uma cidade mudando para risco alto, essas regras automaticamente mudarão. Não apenas para restaurantes e bares, mas para atividades em geral. Fazer uma recomendação para que as pessoas não circulem após as 20 horas, que se recolham aos domingos, não é ferir nenhuma regra em vigor, é exatamente recomendar que quem puder permanecer em casa”, explicou Reblin.

Verão

Enquanto algumas avaliações apontam para uma estabilização no número de casos, mortes e internações nas próximas semanas, como apontou o secretário, outros estudos apontam, com base na interação social das festas de fim de ano e do verão, que a segunda fase da aceleração da pandemia no Espírito Santo pode ser ainda pior do que a primeira.

“Algumas avaliações apontam a possibilidade de uma nova estabilização de casos e óbitos e das internações nas próximas semanas. No entanto, também há avaliações que apontam na expectativa do resultado das interações sociais decorrentes do verão, das festas de fim de ano, das férias, de que esse momento em que o estado vive pode gerar uma continuidade dessa fase de aceleração. E ter uma repercussão em números de casos, óbitos e internações semelhantes à primeira onda no estado”, pontuou.

“Ou ainda piores, no que diz respeito à concomitância da pressão assistencial da pandemia com outras condições de saúde que vão pressionar o sistema de saúde nesse período. Há concomitância do período chuvoso, onde ocorrem inundações, e do período da sazonalidade das arboviroses, aumento de casos de dengue, zika e chikungunya no Espírito Santo”, completou.

Leitos

Nésio adiantou que, até o mês de fevereiro, o Espírito Santo deve ter mais 900 leitos de UTI para atender pacientes com a Covid-19. Além disso, o Ministério da Saúde repassou 160 ventiladores mecânicos novos que vão ser instalados no estado. Dez unidades já chegaram nesta segunda-feira.

“Essa estratégia está sendo apresentada hoje, com o objetivo da ampliação de mais leitos na rede própria e contratualização de leitos na rede filantrópica e privada. Não temos previsão de construir hospitais de campanha, como não tivemos na primeira onda. Iremos expandir novos leitos e habilitar novos leitos para as pessoas atingidas pela pandemia”, disse.

Vacina

O secretário adiantou que o governador Renato Casagrande (PSB) está em uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro nesta segunda e que o encontro vai reforçar a necessidade de que uma vacina seja comprada pelo Ministério da Saúde e distribuída a todos os estados.

Nésio disse que ainda não sabe qual será a vacina aplicada no estado, porque isso depende de uma decisão do Ministério da Saúde, porém o Plano Estadual de Vacinação já está pronto e as seringas e agulhas para aplicação da vacina já estão compradas.

Fake news

Nésio alertou, ainda, para a quantidade de informações falsas e mentiras que circulam pelas redes sociais sobre a vacina contra a Covid-19 e reforçou que a vacinação é um método seguro e eficaz para a proteção contra uma doença.

“Eu quero fazer um alerta à população sobre a quantidade de mentiras, de informações falsas, que circulam pelas redes sociais sobre o risco da vacina. São afirmações fantasiosas, irresponsáveis, muitas delas divulgadas inclusive por lideranças politicas, religiosas, comunitárias, que questionam a eficácia da vacina. As vacinas salvaram milhares de vidas depois que foram disponibilizadas para a população. A quantidade de mentiras divulgadas nas redes sociais pode impedir a medida sanitária de maior resultado na proteção das vidas, que é a vacinação. Independente da tecnologia, do país de origem, dos insumos, defendam as vacinas, defendam os sistema de saúde e a autoridade que nós temos na disponibilização de tecnologias capazes de salvar as vidas”, explicou.

G1 ES