Capitão da reserva vai comandar “choque de segurança” em Barra de São Francisco

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O quarto nome da equipe de primeiro escalão da gestão de Enivaldo dos Anjos (PSD) à frente da Prefeitura de Barra de São Francisco é um capitão da PM recém enviado para a reserva, depois de cumprir 32 anos de serviços, adepto da ideia da Polícia Cidadã e do uso da inteligência da parceria com a sociedade em lugar da força para enfrentar e combater os problemas de segurança, que se agravam a cada dia também no interior do Estado.

Valmer Francisco Simões tem 55 anos (completa 56 em janeiro, pai de seis filhos de dois casamentos, é oficial oriundo do quadro de praças da Polícia Militar do Espírito Santo e saiu para a reserva em novembro de 2019. A partir de janeiro, será o responsável pela Secretaria de Defesa Social, Trânsito e Guarda Municipal, convite formulado na tarde desta quarta-feira (23) pelo prefeito eleito Enivaldo dos Anjos e prontamente aceito.

“Não consigo me ver parado e estou aceitando esse convite porque sei dos pensamentos do prefeito, que batem muito com os meus”, disse Valmer, que passou 24 anos da carreira atuando nas ruas, em rádio-patrulhas. Como capitão, comandou o policiamento em Mantenópolis e Águia Branca, primeiro um de cada vez e, por último, os dois municípios juntos, quando fez trabalho muito elogiado pelos prefeitos Hermínio Hespanhol (MDB) e Brizola (PSD), ambos aliados de Enivaldo.

No programa de governo que apresentou à população, Enivaldo destacou o “choque de segurança”, baseado em três pontos: elaborar o Plano Municipal de Segurança em discussão com a sociedade organizada e especialistas no assunto e definir estratégias de enfrentamento da violência urbana, da violência no trânsito, da violência de gênero, da violência infanto-juvenil e do tráfico de drogas; elaborar programas de prevenção ao uso de entorpecentes, tais como atividades educativas e esportivas para os jovens, capacitação de jovens e adultos visando à geração de renda para as famílias, atenção integral à infância e ao idoso; e implantar a Guarda Municipal, criada na gestão anterior e que nunca saiu do papel, oara atuar preventivamente, em parceria com as polícias Civil e Militar.

EXPERIÊNCIA

O futuro secretário tem expertise no assunto. “Peguei uma situação complicada na segurança de Mantenópolis com muitos homicídios e tráfico de drogas, geralmente associados. Demos jeito nisso com efetivo pequeno, mas muito presente e proativo. Em Águia Branca, a criminalidade havia crescido muito, com muitos furtos de bombas d´água, furtos até de cofres nas propriedades rurais e até assaltos a mão armada na cidade. Mas usamos o bom senso e os olhos do cidadão e também contivemos isso”, disse Valmer.

É com a experiência da articulação dos poderes públicos e sociedade organizada e a colaboração da população que Valmer conta ter atacado e reduzido drasticamente a violência dos dois municípios e é com o mesmo modelo que pretende atuar em Barra de São Francisco, onde recebeu três missões do futuro prefeito: municipalizar o trânsito, criar a guarda municipal armada e reduzir os índices de violência na cidade. Até porque ele conta saber de onde procediam os marginais que atacavam nessas cidades vizinhas.

Nascido em Barra de São Francisco e tendo passado praticamente toda sua carreira militar na região, Valmer domina bem o território onde vai atuar e demonstra já ter um diagnóstico de onde originam-se os maiores problemas de violência na cidade e na região: “O coronel Rômulo fez um ótimo trabalho no 11º Batalhão e vem procurando fazer o trabalho de contenção, mas o contingente da polícia é pequeno para o tamanho da região. Então, algumas regiões precisam de reforço e vamos atuar nesses pontos”.

A crença de Valmer na parceria com a comunidade é forte, tanto é que sua principal referência de política de segurança vem de dentro da própria Polícia Militar: o conceito da Polícia Comunitária ou interativa, criada nos anos 80.

“Aquela polícia arbitrária ficou no passado, hoje precisamos de uma estrutura de segurança próxima ao cidadão. Não vai precisar de muito tempo para a população de Barra de São Francisco sentir os efeitos do trabalho que vamos implementar. E nem preciso também de muita coisa. Se o prefeito me der três equipes por turno, vamos estabelecer novos padrões que colocarão Barra de São Francisco no centro das atenções no controle da violência”, disse o futuro secretário de Defesa Social.

No trânsito, onde ele atuou por quatro anos na região Noroeste, Valmer também não vê mistérios: “É educar e orientar, punição é o último recurso. Vamos formar uma guarda através de processo seletivo e minha sugestão ao prefeito será no sentido de contratação temporária de profissionais já habilitados, que somente precisarão ser capacitados para o trabalho de rua. Com esse modelo, a gente pode fazer ajustes no caminho. Vou trazer também o bem-sucedido modelo da Patrulha Rural que implantamos em Águia Branca, que foi baseado no modelo que o coronel Júlio adotou no Pro-Pas e que é muito eficiente”.

Outra razão de Valmer aceitar o convite é que ele viu a proposta do programa de governo de Enivaldo de criar um trabalho conjunto com os demais municípios, numa espécie de corredor de segurança Noroeste. “Esta foi a melhor ideia de segurança que vi surgir nos últimos anos. O prefeito está corretíssimo. Se fizermos um trabalho municipal, mas articulado com os municípios vizinhos, para adotarem modelo semelhante, poderemos dar um grande suporte à Polícia Militar, reforçando com homens e viaturas o trabalho de policiamento. Na hora que apertarmos num ponto, os delinquentes vão se deslocar. Mas não tem importância.

Vamos usar o trabalho de inteligência e vamos atrás. O importante é o bem-estar social, conceito que o nosso futuro prefeito está trazendo muito apropriadamente”, disse Valmer.