Cabo Jonciclé que votou em Alencar Marim promete austeridade no Legislativo francisquense

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Cabo Jonciclé, presidente da câmara municipal

O policial militar cabo Jonciclé Honório, 48 anos, residente do distrito de Monte Sinai (Vermelha), nunca tinha sido candidato a cargo político até que, no ano passado, estimulado pelos muitos amigos, principalmente de sua região, decidiu disputar uma vaga na Câmara Municipal. Foi eleito com a sexta maior votação entre os 13 escolhidos para representar o povo nos próximos quatro anos.

O novo presidente iniciou o ano prometendo cortar pontos de quem não comparece para trabalhar, e segundo ele, não vai admitir pagar a quem não trabalhou o mês integralmente. Porém muita gente em Barra de São Francisco está questionando a nomeação do ex-vereador Adilton Gonçalves (PMDB) como chefe de gabinete da presidência na câmara municipal, que, inclusive, teve contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas-ES, quando exerceu a presidência daquela casa de leis. Matéria neste sentido foi publicada pelo site, www.terceirapontenews.com.br.

Não bastasse a eleição tranquila para um iniciante, Jonciclé, ou simplesmente Jonson, como é chamado por todos em Barra de São Francisco, acabou sendo levado por unanimidade ao cargo de presidente da Câmara Municipal, onde irá administrar um orçamento mensal de R$ 300 mil aproximadamente.

Embora tenha disputado a eleição pela coligação que apoiou a candidatura do ex-prefeito Luciano Pereira, ele revela em entrevista exclusiva ao Jornal Notícia Certa, que votou em Alencar Marim e que vai trabalhar em parceria com o mesmo, observando a independência dos poderes.

Jonciclé também informou que vai trabalhar com muita seriedade e austeridade na gestão da Casa e promete cortar mordomias como as diárias e enxugar a folha de pagamento. Uma das suas primeiras ações deverá ser publicar uma portaria regulamentando a concessão de diárias e obrigando os vereadores e servidores a devolverem os valores que não forem gastos em viagem. “Hoje uma diária simples, sem pernoite, dos vereadores custa R$ 300,00 para a Câmara e, às vezes o vereador gasta menos da metade disso, já que viaja em veículo da prefeitura e gasta apenas com lanche e refeição ”, exemplifica.

NC – O senhor foi candidato a vereador pela primeira vez e eleito com uma votação expressiva, numa das regiões mais distantes da Sede do município, qual o segredo dessa campanha tão bem sucedida?

Cabo Jonciclé – Olha, na verdade, eu comecei a pensar em disputar uma vaga na Câmara de Vereadores lá pelo final de 2013, incentivado pelos muitos amigos porque, apesar de ser um policial militar, classe que às vezes não é muito bem compreendida por parte da população eu, graças a Deus, conquistei muitas amizades em todo o município e particularmente lá na região da Vermelha (Monte Sinai).

Então, impelido pelos amigos, eu comecei a pensar numa candidatura, mas só me decidi mesmo no último momento porque percebi que havia grande expectativa das pessoas em torno de mim e entendi que, como vereador, poderia ajudar mais a minha região e o meu município como um todo.

NC – O senhor acabou tendo mais votos do que todos os candidatos que já foram eleitos pelo distrito de Monte Sinai, o que mostra que a população da região não estava muito satisfeita com os seus vereadores…

Cabo Jonciclé – É verdade, eu tive 916 votos e o vereador mais votado até hoje na região teve menos de 900 votos, o que demonstra que o povo estava ansiando por uma nova representação. Penso que os vereadores que foram eleitos antes de mim também fizeram o que foi possível, mas eles dependiam basicamente do Poder Executivo para levar algum benefício para a região e isso pode ter sido o fator determinante para não terem logrado êxito nesta campanha.

NC – Além de ter sido eleito vereador logo na primeira disputa, o senhor acabou sendo eleito presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal em um momento que havia vários nomes pleiteando o cargo. Como é que o senhor conseguiu esse feito?

Cabo Jonciclé – É verdade, havia vários nomes com a candidatura colocada e muita dificuldade de se chegar a um consenso ou sair um vitorioso, então perguntaram se eu aceitaria ser presidente e eu disse que sim, que estava ali para ajudar.

Coloquei o meu nome à disposição e, graças a Deus, foi unanimidade, não houve imposição de ninguém pelo meu nome, então eu tenho que agradecer a todos que confiaram o voto em mim e dizer que estamos aí para servir, para ajudar o município.

NC – O senhor foi eleito numa coligação formada para tentar reeleger o ex-prefeito Luciano Pereira, mas é considerado como uma pessoa neutra, com bom trânsito em todos os grupos políticos, como é que vai ser o relacionamento com o prefeito Alencar Marim, com o Poder Executivo?

Cabo Jonciclé – Na verdade, eu fui um candidato independente. Apesar da minha coligação não estar alinhada com a do prefeito eleito, nem por isso eu deixei de ajudar, ele sabe bem disso. Não subi no palanque da minha coligação e não pude ir na do Alencar por questões partidárias. Na verdade, eu votei no Alencar Marim até porque o ex-prefeito, durante a campanha, tentou impor outro nome para vereador na região, ele pedia voto para outro candidato.

Portanto, eu não vejo dificuldade na relação do Poder Executivo com o Legislativo, e prova disso é que quando meu nome foi lançado para concorrer à presidência não houve rejeição, porque eu fui neutro na eleição, eu fiz a minha campanha de vereador.

NC – O senhor também tem um bom relacionamento com o deputado estadual Enivaldo dos Anjos que, inclusive, liberou os vereadores do seu partido para votarem em você. Como isso pode se traduzir em benefícios para o município?

Cabo Jonciclé – Com certeza, meu relacionamento com o deputado é muito bom, nossas famílias se conhecem há muitos anos, se não me engano desde quando ele trabalhava no fórum, então nosso relacionamento é o melhor possível e isso vai ajudar para buscarmos juntos obras e benefícios para o município.

NC – O senhor também tem um bom relacionamento com o deputado Da Vitória, que é também militar, o senhor pretende buscar o apoio dele para ajudar Barra de São Francisco?

Cabo Jonciclé – Sim, temos um ótimo relacionamento com o Da Vitória, que saiu da PM como candidato, assim como eu, e nossa intenção é trazer o máximo de deputados, de pessoas que queiram ajudar o município, que queiram trazer benefícios para a nossa região.

NC – Com relação à Câmara Municipal, como é que o senhor encontrou a situação e quais as ações que o senhor pretende implantar assim que terminar o recesso legislativo?

Cabo Jonciclé – O momento é de se fazer mais com menos porque temos crise no país, nos estados e municípios, então acredito que, como presidente da Câmara, vamos poder colaborar ainda mais coma sociedade francisquense. A minha intenção é economizar, reduzir diárias, reduzir gastos excessivos com pessoal para evitar desperdício do dinheiro público. Já conversei aí com o pessoal, a gente vai cortar o máximo possível, principalmente na questão das diárias…

NC – Hoje as diárias da Câmara são bem gordas e, na legislatura passada os vereadores viajaram bastante, o senhor pretende colocar regras para impedir viagens desnecessárias?

Cabo Jonciclé – Olha, o momento no país é de austeridade, nós políticos que entramos agora temos que dar bons exemplos para a nossa sociedade, mostrar que nem tudo está perdido e que existem bons cidadãos atuando na política. Então, uma das nossas propostas será de fazer com que os vereadores que obtenham permissão para viajar, devolvam para o Legislativo aquilo que não for gasto.

NC – “Hoje um vereador ganha, líquido, R$ 4,7 mil. é muito dinheiro” Como é que vai ser isso?

Cabo Jonciclé – Nós estamos pensando em lançar um ofício, uma portaria regulamentando o uso das diárias. Hoje, uma diária simples, sem pernoite, está em R$ 300. O vereador viaja com o carro da Câmara Municipal, então ele não tem gasto de combustível, ele vai a Vitória de manhã e volta à tarde, portanto, só vai gastar com lanche, almoço e, talvez, o jantar. Por mais caro que seja o lanche e o almoço, ele não gasta metade desse valor. Então, vamos estabelecer que eles peguem as notas fiscais dos gastos e apresentem na Câmara. Se gastarem, R$ 100, por exemplo, terão que devolver os outros R$ 200.

NC – O senhor acha que o salário de vereador é suficiente?

Cabo Jonciclé – Hoje um vereador ganha líquido, R$ 4,7 mil. É muito dinheiro. Na polícia, para se chegar a um salário deste é preciso ter pelo menos 20 anos de carreira e chegar a terceiro sargento, ou seja, o cara vai correr riscos durante duas décadas e trabalhar muito para chegar a um salário desse porte.

Já o vereador tem por compromisso quase que apenas participar de uma sessão de duas horas por semana. Sabemos que muitos que estão na Câmara dedicam grande parte do seu tempo à atuação como vereador, mas todos têm ou podem ter outras atividades e, portanto, acho que o salário é mais do que suficiente.

NC – A Câmara tem que fazer um repasse obrigatório, uma devolução de recursos ao Executivo. O gestor anterior, Juvenal Calixto Filho, parece que devolveu cerca de R$ 500 mil no final do ano passado. Ele deixou algum dinheiro em caixa?

Cabo Jonciclé – Ele fez a devolução, mas deixou recurso em caixa sim, temos pelo menos R$ 37 mil nos cofres e nós vamos, como já disse antes, economizar bastante, porque hoje o repasse feito para a Câmara está em torno de R$ 300 mil mensais e nós não temos necessidade disso tudo. Vamos investir em algumas ações e obras pontuais na Casa, que eu não gostaria de tornar público agora, mas que são muito necessárias, mas vamos devolver o máximo possível para ajudar o nosso prefeito a governar.

NC – Finalizando, o que o senhor pretende fazer para ajudar a sua região, particularmente o distrito de Monte Sinai, que carece de várias obras emergenciais, como pavimentação, reforma do jardim, do ginásio…

Cabo Jonciclé – De início, já até conversei com o prefeito, nós estamos reivindicando o patrolamento e melhoria das estradas, que estão muito danificadas devido às fortes chuvas que tivemos em dezembro.

Também vou procurar ajudar o máximo possível a região, não é fácil, a administração anterior deixou a desejar em alguns pontos. Em Vila Poranga, por exemplo, deu-se o início do calçamento e não chegou nem a metade das obras. Vila Monte Sinai também precisa de alguns calçamentos, que foram prometidos e não se iniciaram, o jardim está muito danificado, a quadra que atende às escolas está em situação precária, então a gente pretende ajudar no que for possível.