“Apanhei porque não quis fazer sexo com ele”, diz vítima de agressão

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Lúcia (nome fictício), 28 anos, casou-se jovem, aos 18. Viveu uma relação abusiva com o marido por nove anos.

Como foi o início da sua relação?

Foi um sonho, tudo era lindo. A gente fazia tudo junto, ele me ouvia, me presenteava, dizia que eu era linda. Era tudo perfeito, igual em novela.

E quando começaram os abusos?

Perto de completarmos um ano de namoro. Ele me seguia, me vigiava o tempo todo. Controlava meu celular, com quem eu falava, minhas roupas. Comecei a ficar paranoica.

Pensou em acabar tudo?

Sim, mas fiquei grávida. Com o bebê a caminho, fui me envolvendo cada vez mais. Foi um período bem difícil, não podia contar com ele para nada. Andava com a aquela barriga enorme de ônibus pra cima e pra baixo. Era obrigada a dar satisfação de um alfinete que comprasse para o bebê. Dizia para mim mesma: “melhor com ele do que com um filho nos braços e sem ninguém”.

Quando ele começou a te bater?

Depois que nosso filho nasceu. Primeiro eram safanões e beliscões, que evoluíram para socos no rosto e um dente quebrado. Ele se arrependia e me pedia perdão. Eu ficava com pena, achava que ele precisava de ajuda. Cada vez mais fui achando que eu dava conta sozinha de mudá-lo. Até que não aguentei mais. Me separei.

E ele, como reagiu?

Foi um inferno, mas depois ficou quieto. Arrumou outra mulher. Mas até hoje ele aparece na minha casa pedindo para voltar. Numa dessas ocasiões, bêbado, quis me obrigar a fazer sexo com ele. Disse não e apanhei. Ele já tinha feito sexo comigo obrigada. Eu sabia que era errado, mas achava que devia aguentar.

ABUSOS PSICOLÓGICOS

QUIS ME MATAR VÁRIAS VEZES

Foram duas relações abusivas. A primeira durou 13 anos. Ele se sentia bonito demais para mim, estava gorda e não conseguia emagrecer de jeito nenhum. Ele vivia falando: “você tem um rosto lindo, só falta emagrecer”. Quando fazia dieta, ele inventava de trazer pizza, sanduíches, sorvete, para dentro de casa e comia na minha frente. Eu só podia olhar. Fiz dieta, emagreci, separei e conheci outra pessoa, um príncipe. Só que aos poucos ele mostrou sua possessão. Eu tinha que viver para ele, respirar por ele, por comida no prato dele. Nunca me agrediu fisicamente, mas meu psicológico estava um caos. Quis me matar várias vezes”.

IDENTIFIQUE OS SINAIS DE UMA RELAÇÃO ABUSIVA

  1. Você está sempre errada

Nem precisa ser uma discussão. E a forma de fazer isso pode ser sutil, nunca é direta, como um “nossa, que burro isso que você disse”, mas a impressão é a de que você nunca fala nada de bom.

  1. “Isso é coisa da sua cabeça” ou “você está fazendo drama à toa”

Isso se chama gaslighting e é o abuso emocional em que a pessoa faz com que você comece a questionar sua própria compreensão da realidade.

  1. Se acha no direito de controlar a sua vida e as suas escolhas

Tal roupa não serve para você. Vai pedir que tire seu batom vermelho. Não gosta dos seus amigos ou parentes. Até o seu dinheiro não e mais seu. O que você pode ou não comprar, não depende mais de você.

  1. Você faz coisas contra a sua vontade por medo, inclusive sexo

Você não quer, mas “acaba cedendo” porque quer agradá-lo. Ou ele faz à força, só porque vocês estão numa relação. Isso é o estupro marital.

  1. Nunca te bateu, mas você costuma ter hematomas causados quando tentam “te acalmar”

A agressão física não é só um tapa, um empurrão. Ela também passa pelo beliscão ou por aquele hábito de “te segurar com força” quando vocês estão discutindo.

  1. “Ninguém nunca vai te amar, te aceitar ou te querer além de mim”

Estas são falas típicas da violência psicológica, que pode ser feita a partir da chantagem, da ameaça e do controle com frases como “se você fizer isso quer dizer que não me ama” e “se você não fizer isso eu vou embora”.

  1. Não reage bem a suas conquistas e às coisas boas que acontecem na sua vida

Se algo bom te aconteceu, sempre dá um jeito de incluir uma discussão besta sobre qualquer outra coisinha, fazendo você questionar a si mesma/o.

  1. Não gosta que você fale com outras pessoas ou tenta te fazer acreditar que a única opinião que deve ouvir é a dele

Este isolamento ajuda a provocar seu afastamento da família ou de amigos que possam te ajudar a sair do relacionamento abusivo.

  1. A culpa por ser agressivo ou ameaçador é sua

Esta é uma das maiores mentiras da relação abusiva. Lembre-se que a culpa pelas ações dele nunca é sua. Nunca. Você não “está pedindo”. Você não “tirou ele do sério”. Não se culpe.

  1. Álcool ou outra droga viram desculpa

A pessoa culpa o álcool ou drogas para agressividade desmedida e maus tratos.

  1. Não te agride, mas desconta a agressividade batendo em mesas, portas e outros objetos

Isto é sim uma forma de ameaça, de demonstrar a força que tem e de dizer que você pode ser a próxima.

  1. Te agride

Pode parecer óbvio, mas é sempre bom lembrar: não, não está tudo bem, isso não é certo, você não merece e – novamente – isso não é sua culpa.

  1. Grita com você

Tem “pavio curto”, mas no momento seguinte pode se mostrar arrependido/a e extremamente carinhoso. O que começa com um grito pode sim se tornar um tapa no futuro.

  1. “Nunca mais vou fazer isso”

No ciclo da violência, após o momento da explosão, logo vem a “lua de mel”. A pessoa promete que vai fazer terapia, te dá presentes, fala o quanto te ama, te valoriza e te ouve.

  1. Humilhação diante dos outros

Essa é a forma preferida para se fortalecer diante do outro, mantendo a pessoa insegura. Por mais que se faça para merecer um elogio, vai receber ou o desprezo ou críticas pesadas.

DENUNCIE!

Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres: www.spm.gov.br

Disque 180 (Central de Atendimento à Mulheres)

Ciodes 190

Nevid

Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica contra a Mulher

Rua Procurador Antônio Benedicto Amancio Pereira, nº 350, Ed. Promotor Edson Machado, Santa Helena, Vitória. Telefones: 3194-4748, 3194-4747 e 3194-5199

Plantão Especializado da Mulher (PEM)

3323-4045

Delegacias e Distritos de Atendimento à Mulher 

Aracruz

(27) 3256-8186 – Rua Padre Luiz Parenze, 1333, bairro Centro, Aracruz.

Cachoeiro de Itapemirim

(28) 3155-5080 ( Delegacia Regional) – Rua 25 de Março. Nº 126. Centro, Cachoeiro.

Colatina

(27) 3177-7121 – Rua Benjamin Constant, 110, bairro Marista, Colatina.

Linhares

(27) 3264-2537 (Delegacia Regional) – Rua José Candido Durão, s/n, bairro 3 barras, Linhares.

São Mateus

(27) 3767 8135 (Delegacia Regional) – Rua Eurico Sales, nº 1221 – 1º andar – Bairro Boa Vista – São Mateus

Cariacica

(27) 3136-3118 – BR 262, Km 03, bairro Vera Cruz, Cariacica.

Guarapari

(27) 3262-7022 – Rua Santo Antônio, 313, Muquiçaba, Guarapari.

Serra

(27) 3328-7217 (27) 3328-2869 – Rua Sebastião Rodrigues Miranda, 49, bairro Boa Vista II, Serra.

Viana

(27) 3255-1171 (27) 3255-3095 – Avenida Levino Chacon, 149, Centro, Viana.

Vila Velha

(27) 3388-2481 – Rua Luciano das Neves, 430, Prainha, Vila Velha.

Vitória

(27) 3137-9115 – Rua Portinari, s/n, Bairro Santa Luíza, Vitória.

Fonte: gazetaonline