Alencar Marim: “O poder tem que ser encarado como um serviço e não como algo para satisfação pessoal”

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Alencar Marim
Alencar Marim

O prefeito eleito de Barra de São Francisco Alencar Marim (PT), voltou a falar ao site Gazeta do Norte e desta vez com toda nossa equipe de reportagem. Alencar volta a falar de vários assuntos que são de interesse da população francisquense.

Leiam na integra:

Gazeta – Como é que você se sente sendo prefeito de Barra de São Francisco. Imaginava isso na sua vida?

Alencar Marim – De certa forma sim, eu estava me preparando para isso, não sabia se seria tão rapidamente. Agora me sinto com uma tarefa tremenda porque eu não esperava a votação que foi, a responsabilidade aumenta porque as pessoas de fato acreditaram na nossa proposta, a proposta da mudança da renovação. Isso aumenta a nossa responsabilidade diante dos desafios que vem pela frente.

GazetaEm que momento da sua vida você percebeu que podia ser prefeito de Barra de São Francisco?

Alencar Marim – Sou professor, sempre fui meio curioso. Quando entrei na escola, aquilo que eu vi que não estava muito legal eu tentei resolver, desde as questões mais práticas de informática, iluminação até as questões mais macro, que é da proposta pedagógica, na escola família agrícola.

Depois eu fui secretário de assistência social, no governo Waldeles, e a administração pública foi algo que me entusiasmou por saber que você pode ter a oportunidade de, como gestor público, ter a oportunidade de ajudar a decidir a vida, ouvindo a sociedade, a definir a vida das pessoas. Então, naquele momento, foi uma experiência muito boa, como secretário de assistência social foi quando eu pensei na possibilidade de tentar galgar o cargo de prefeito e poder contribuir um pouco dentro daquilo que eu estava vivenciando.

GazetaComo se deu o convite para assumir a secretaria de assistência social?

Alencar Marim – Na verdade, foi há oito anos. Eu era diretor de escola (família agrícola) e de certa forma tinha liderado de certa forma algumas mudanças que a escola precisava e o Waldeles, que estava sendo reeleito, me fez o convite. Num primeiro momento não foi para a assistência social e sim para o meio ambiente, mas eu disse que naquela área eu tinha um pouco de restrição, que naquela área eu não estava ainda preparado. Então ele mencionou a assistência social, aí eu analisei e vi que era uma oportunidade de adquirir experiência.

GazetaComo é que você se preparou para ser prefeito?

Alencar Marim – Desde que eu estava na secretaria de assistência social eu não fiquei restrito especificamente aos problemas da assistência social, eu sempre busquei nos setores da prefeitura e nas pessoas que eu fui conhecendo, fui buscando informações no geral da prefeitura: eu tinha preocupações com questões como o percentual de folha de pagamento através da lei de responsabilidade fiscal, processo licitatório…Então eu me preocupava com questões relacionadas a administração pública ligadas à saúde, educação, obras porque isso foi me despertando uma curiosidade, me motivando para aprender.

 Gazeta – Vivendo e aprendendo, como diz o ditado?

Alencar Marim – Então, além de buscar entender isso, de ler, de conversar com pessoas que entendem, eu também, durante a campanha, me preparai muito conversando com pessoas, o que eu acho que foi o grande diferencial da campanha. Eu me relacionei muito bem om associações de produtores outras entidades que representam segmentos da sociedade, conversando com cidadãos comuns na rua, ouvindo a todos, porque o gestor público, essa questão da competência técnica ele pode buscar depois que está no cargo. Lógico que vai haver um certo atraso, mas a sensibilidade de ouvir as pessoas, isso aí não dá para buscar, isso vem do perfil mesmo e, repito, acho que foi o grande diferencial nas eleições, a proposta que a gente estava apresentando e aquilo que era a proposta de continuidade do atual prefeito, a dificuldade de dialogar com om a sociedade e ouvir as pessoas.

Gazeta – Durante a campanha, qual era o clamor do povo de Barra de São Francisco, o que eles pediam?

Alencar Marim – Pode parecer até engraçado, mas o maior clamor é de ter contato com o prefeito, que o prefeito que ele ajudou a eleger ou que é o prefeito dele, independente dele ter votado ou não ele é acessível, ou ele vem numa reunião no bairro, ele passa com uma certa frequência pelas ruas ou ele minimamente frequenta algum ponto do comércio local ou está disponível para as coisas que são as demandas a sociedade, do município.

GazetaVoltando um pouquinho, sua primeira experiência eletiva foi como candidato a vice-prefeito do Enivaldo dos Anjos, quando vocês perderam a eleição por cerca de 400 votos. O que voe tirou de lição daquela campanha e que, ao longo destes quatro anos você pode ter amadurecido e usado nesta campanha vitoriosa de agora?

Alencar Marim – Aquela campanha para mim foi muito boa. Eu tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas, de conhecer regiões do município que eu ainda não conhecia, de conhecer e me relacionar com pessoas com as quais eu nunca tinha conversado, então isso me trouxe uma experiência de vida, até de saber como era uma campanha, porque eu nunca tinha participado diretamente.

Então o meu aprendizado foi esse, naquele momento a gente percebia que já tinha uma grande quantidade de cidadãos francisquenses que queriam já uma administração diferente, mais voltada para o desenvolvimento do município do ponto de vista do desenvolvimento a médio e longo prazo. Eu senti que tinha muita gente aderindo a esse projeto de desenvolvimento. Foi um pouco isso que eu trouxe como extrato e por vários fatores acabaram resultando na vitória.

GazetaHá dois anos você participou da campanha do padre Honório também…

Alencar Marim – Eu fui eleitor e ajudei a coordenar a campanha do padre Honório em Barra de São Francisco.

Gazeta – A questão da proporcionalidade também pode trazer alguma dificuldade na Câmara Municipal uma vez que, apesar da sua votação de ter sido muito maior, a composição da Câmara acabou ficando com sete vereadores ligados ao adversário contra seis que apoiaram sua candidatura…

Alencar Marim – Na verdade, nós fizemos seis vereadores da nossa coligação e dos apoiadores e a oposição fez sete, mas o fato de ter entrado pessoas novas na Câmara, as pessoas chegam com a cabeça diferente. Há espaço para um diálogo e eu não pretendo fazer uma administração de muito embate com o legislativo, mas nós vamos precisar de um apoio do legislativo, porque vamos propor muitas mudanças. Mas, em função das pessoas que estão eleitas na nossa base e da renovação que aconteceu também na base do outro candidato, eu acredito que a gente vai conseguir um grupo bom no legislativo, que dê para trabalhar não em funções de disputas políticas eleitoreiras…

GazetaComo é que se deu essa postura que permitiu essa polarização da eleição em Barra de São Francisco? O que levou vocês a essa conjugação de forças, do grupo do Enivaldo vindo te apoiar, como é que foi isso?

Alencar Marim – Foi muito simples. Não houve nada de espetacular. O que aconteceu foi que um grupo, uma força política grande, ligada ao comércio, contratou uma pesquisa que apontava o atual prefeito à frente e um empate técnico entre a nossa candidatura e a do Waldeles. E, apesar de ser empate técnico, a pesquisa apontou que o índice de rejeição do Waldeles era o maior entre os três. Então erre grupo que contratou a pesquisa nos convidou a mim e ao Waldeles para conversar e disseram: olha, nós estamos fora da campanha hoje, queremos participar, mas para isso queremos uma candidatura única de oposição à atual administração, então o viável é que um de vocês desista.

Aí o Waldeles, depois de analisar os números e conversar com amigos, entendeu que era melhor ele retirar o nome..

GazetaQual foi o papel dos dois patronos da candidatura, os deputados Enivaldo dos anjos e Padre Honório?

Alencar Marim – Nem da parte do padre Honório nem da parte do Enivaldo houve interferência. Foi mais assim de suporte, de apoio, de conselho. Os dois dialogavam na Assembleia com frequência e, nesse caso, quando o Waldeles decidiu abrir mão da sua candidatura nós fizemos uma conversa nesse sentido e o Enivaldo entendeu que era importante para a cidade essa retirada da candidatura e que nos apoiando a gente teria mais chance de sairmos vitoriosos nas urnas.

GazetaVocê vai governar Barra de São Francisco com uma condição única. Teve uma votação extraordinária, segundo é que você vai governar com o apoio de dois deputados estaduais, uma coisa que nunca existiu na cidade. Isso pode facilitar as coisas?

Alencar Marim – Acredito que isso vai ser um diferencial, mas dizer que vai facilitar, talvez seja um exagero, porque estamos vivendo uma era em que os prefeitos terão desafios enormes pela frente, mas o fato de ter dois deputados brigando pelo município, pela região com certeza vai potencializar a administração municipal, nossos projetos de desenvolvimento, as obras estruturantes, acredito que vai ajudar demais. Então, ao mesmo tempo que eu tive a sorte da população me confiar essa missão de administrar numa época dessas eu também tenho a sorte contar com dois parceiros para ajudar a viabilizar recursos do Estado para a gente desenvolver os projetos lá.

GazetaEsse apoio dos deputados já tem se manifestado nesse período pré-posse? O que você tem feito nesse período entre sua eleição e sua posse?

Alencar Marim – Além de cuidar de um problema particular, de saúde na família, eu tenho aproveitado o momento para estabelecer um diálogo com órgãos do governo do Estado, então tanto o Enivaldo quanto o padre Honório já me auxiliaram nessa chegada até algumas secretárias de estado.

Eu já estive em reunião com o secretário estadual de Agricultura, Desenvolvimento Urbano, aderes estou para marcar uma ida no Sebrae, já estivem em Brasília buscando apoio de senadores e deputados federais para colocação de emendas e liberação de recursos.

GazetaEm Brasília, quem está apoiando você lá?

Alencar Marim – Em Brasília a pessoa mais próxima a mim é o deputado Givaldo Vieira, mas eu fui em busca de apoio de todos os deputados da bancada capixaba e todos os senadores também. A gente não intenção de ficar restrito a um deputado, apesar de continuar cultivando essa amizade que a gente já tinha amizade anteriormente?

GazetaVocê esteve junto com o Enivaldo em Brasília e visitaram a senadora Rose de Freitas. Houve alguma agenda positiva?

Alencar Marim – Encontramos a senadora Rose em Brasília e a primeira coisa que ela disse foi que já destinou recursos para o município, que tem algo que precisa ser encaminhado lá… Então o primeiro compromisso é de concretizar aquilo que já destinado lá de outros anos e depois a gente vai continuar o diálogo para os próximos anos.

GazetaVocê toma posse com todo o secretariado definido, como é que você pretende estruturar a administração?

Alencar Marim – Eu acredito que secretariado, no dia da posse, terei praticamente todos definidos. Tem algumas coisas que estão pendentes. Eu pretendo fazer algumas mudanças na estrutura administrativa. Eu não sei exatamente tudo ainda, estamos fazendo um estudo. Vários municípios fizeram mudanças na estrutura administrativa recentemente e eu estou fazendo um estudo disso para ver o que é mais adequado ao nosso município. Eu acredito que, senão todos, mas pelo 80% dos secretários nós teremos já no dia da posse.

Hoje nós temos quatorze secretarias e eu, provavelmente, vou trabalhar com treze ou quatorze, mas não no formato que está lá. Tem coisas que estão muito ultrapassadas.

GazetaO que você já tem definido, aquilo que você pretende mexer?

Alencar Marim – Eu pretendo criar a Secretaria de Planejamento, não tem. Eu não gosto do formato que está a secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, eu penso que a habitação deve estar ligada a assistência social ou ter um órgão específico para isso.

A secretaria de Desenvolvimento Econômico vai trabalhar com dois focos, os grandes negócios, potencializar e atrair as empresas de granito e outras indústrias, se possível criando até outro polo industrial e os pequenos e micro empreendimentos. Queremos fomentar a legalização dos microempreendedores, fomentar a qualificação de pessoas e surgimento de novos empreendimentos no município através da Aderes, Sebrae e outros órgãos.

GazetaUm problema muito sério que às vezes o administrador tem é com a qualificação da equipe. Como é que você pensa isso?

Alencar Marim – Primeiro eu estou tentando pensar na formação do primeiro escalão, do secretariado, com um perfil mais técnico do que político. Não quer dizer que não possa ser político. E vamos tentar aproveitar ao máximo pessoas que já são servidores de carreira, pessoas que já tem uma memória da administração e, partindo do princípio de que essas pessoas têm maior compromisso como o futuro do município.

Depois, se você tem uma liderança, um secretariado pensando dessa forma, é possível implantar um processo de formação continua dos demais colaboradores. Aí tem muita possibilidade de buscar apoio para isso, o próprio governo do Estado, o Tribunal de contas, vários órgãos têm disponíveis com bastante frequência cursos e palestras.

Acho que o maior desafio é criar de fato um time e o time entender que precisa jogar imbuído de dar um resultado final. Se começarmos a criar pequenas ilhas e cada um cuidar da sua própria vida lá a gente vai ter poucas condições de ter um bom resultado no final do mandato.

GazetaO orçamento atual e suficiente para administrar Barra de São Francisco?

Alencar Marim – Orçamento nunca é suficiente porque administração pública é assim, jogar com prioridades. Tem que ir estabelecendo prioridades. Você nunca vai ter recursos para atender tudo aquilo que está sendo solicitado, cotidianamente tomar decisões daquilo que é prioridade. O meu compromisso de fazer diferente é, ao estabelecer essas prioridades, quem vai estabelecer não é a cabeça do Alencar. Vamos fazer isso da forma mais participativa e democrática possível. Por isso a ideia de orçamento participativo, de fortalecer os conselhos setoriais para que as pessoas ajudem a estabelecer o que é prioridade porque os recursos públicos são de todos e eu não me julgo uma cabeça brilhante, iluminada a ponto de chegar e sentar na cadeira de prefeito e tomar as decisões ao meu bel prazer.

GazetaA folha de pagamento sempre é um desafio para o gestor. Você já tem informação sobre as condições da folha de pagamento da prefeitura?

Alencar Marim – Eu tenho informações extraoficiais. Ouvi falar que está perto da casa dos 60%. Como não são informações oficiais é difícil comentar isso. Eu sei que Barra de São Francisco, assim como todos os demais municípios do interior sempre estão na linha vermelha.

Então, desde já estou tomando a decisão de, no início da administração, não nomear todos os cargos comissionados disponíveis. Os secretários eu acho importante, mas o cargo comissionado a gente vai fazendo isso (nomeações) na medida que for possível e necessário.

GazetaO processo de transição que hoje é uma determinação da justiça, como é que está sendo feita?

Alencar Marim – Nós protocolamos um oficio indicando os nomes que nós escolhemos para a equipe de transição e solicitando que o atual prefeito indique quem serão as pessoas de preferência dele e publique um decreto oficializando isso. Nós protocolamos esse ofício há duas semanas e atual prefeito, até o momento, não respondeu.

Na mídia, publicamente, ele diz que está tudo tranquilo, que a prefeitura está aberta, mas na prática ainda não está aberta. Nós estamos aguardando que isso venha a acontecer e depende agora da administração. Se não foi feito pelo diálogo e nós estabelecemos como prazo esse início de semana para que isso aconteça, nós teremos que acionar outros meios, formalizar essa comunicação ao Tribunal de contas, ao Ministério Público, para que isso ocorra. Acho que isso é importante para o município.

GazetaQuem é a equipe de transição?

Alencar Marim – A equipe é coordenada pelo Paulinho da Ótica, e tem ainda como membros os advogados Raony Scheaffer e Patrick Manhães e o José Henrique Bolzan, da Ong Sentinela Capixaba e a Sônia Zanon. Sã cinco membros.

GazetaVocê tem alguma informação sobre a dívida do município? A lei de responsabilidade fiscal não permite que um prefeito deixe contas para o outro, né?

Alencar Marim – É, mas a gente sabe que em muito. O município tem uma dívida, que não é só desta administração. É um acúmulo. Tem uma dívida muito grande com o INSS, eu não sei precisar o valor, são dezenas de milhões. O município tem uma dívida alta com empresas que prestaram serviços em outras administrações e para a atual administração. O município tem prestações mensais a pagar daquela compra de caminhões que foi feita. Com certeza tem questões trabalhistas, eu não sei o montante e vai sobrar pelo menos uma folha para pagar, mas pelo menos uma folha, talvez a do décimo terceiro, vai sobrar para pagar em janeiro.

Talvez fique dinheiro em caixa, mas o que fica, diante do que tem para pagar é insignificante.

Hoje Barra de São Francisco, o orçamento que foi para a Câmara, de 2016, era de R$ 129 milhões, parece que não vai se cumprir, mas a média mensal de arrecadação é de R$ 10 milhões.

Gazeta – Você teve uma experiência muito boa na assistência social, de busca de recursos e convênios. Você pretende ampliar isso na sua administração?

Alencar Marim – No caso da assistência eu tive a felicidade de entrar numa época, num período em que essa política relacionada à assistência social estava em alta, então tudo o que foi possível captar de recursos junto aos governos estadual e federal, nós fomos fazendo, preparando o município, pactuando e recebendo recursos.

No âmbito mais geral, talvez não tenha tanta coisa disponível, mas o município precisa se preparar. Então em tenho certeza de que uma boa equipe de captação de recursos, de prestação de contas é importante, pois muitos municípios às vezes são muito eficientes na captação de recursos, elabora projetos e tal, são eficientes na captação e são péssimos na prestação de contas. Aí daí a pouco fica com muito recurso possível de captar, mas não consegue conveniar porque está dependendo de certidões que não foram conseguidas por não fazer a prestação de contas no tempo hábil. Então é um conjunto, captação de recursos, projetos, gerenciamento dos convênios e prestação de contas. Nós pretendemos montar uma equipe boa, muito técnica e comprometida nessa área.

GazetaComparando a cidade que você recebe, com a que você sonha, qual a cidade que você pretende entregar daqui a quatro anos?

Alencar Marim – Eu pretendo entregar uma administração com o problema de pavimentação de ruas praticamente zerado, com uma saúde funcionando regularmente e com um município que vislumbra, pelos próximos anos, pela próxima década, uma qualidade de vida muito melhor do que tem hoje.

Então, eu já estou dizendo aí qual vai ser a prioridade número um ao assumir, que é resolver o problema do atendimento de saúde e trabalhar para zerar o déficit de pavimentação de ruas. E trabalhar vislumbrando o desenvolvimento do município a médio e longo prazo, não resolvendo apenas as situações cotidianas. E nesse aspecto, eu vejo o município com um grande potencial econômico.

Se a gente pegar a nossa agricultura, que é atrasada,  e dar um nível de desenvolvimento, de diversificação, de assistência técnica para melhorar a renda do agricultor, nós já vamos dar um boom na economia do nosso município, mas ao tempo temos que aproveitar a galinha dos ovos de ouro, que é a questão das rochas ornamentais, do granito que, por si só, já acontece, por força dos investimentos dos empresários, mas se o municípios canalizar melhor, atrair novos investimentos, criando um novo parque industrial, incentivar para que o material seja beneficiado aqui vai agregar mais valor, vai gerar mais emprego e renda…

O granito, quando ele sai em bloco, só deixa para o município um imposto chamado Cefem, que corresponde a 2% da produção bruta, que vai para a União e 65% volta para o município. Se ele for beneficiado aqui, além da Cefem, nós teremos também a receita de ICMS.

GazetaDizem que o poder corrompe sempre. Isso te assusta?

Alencar Marim – Não, hoje não me assusta. Engraçado, aconteceu uma coisa na eleição. Depois da posse as pessoas pulavam no meu pescoço, riam, chorava e olhavam para mim e perguntavam:  Alencar, nós ganhos a eleição, você não está feliz? E eu disse, olha eu sempre disse nas reuniões, e não era retórica que mais difícil do que ganhar a eleição é fazer uma boa gestão. Então, eu sempre tive consciência do que vem pela frente. Me preparei para isso, o que está linkado no meu cérebro, é que a administração não pode perder o foco, apesar do almoço com empresários, da relação com grandes lideranças políticas, eu não posso perder o foco daquela pessoa que eu visitei, que fui lá na casa dele pisando a poeira, porque eu senti o mau cheiro do esgoto correndo a céu aberto. Então isso é o link que eu criei para não perder o foco e saber que o poder tem