500 mil peixes foram retirados do Rio Doce em Colatina

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23Mais de 500 mil pequenos peixes, camarões, lagostins e caramujos já foram retirados do Rio Doce para pela força-tarefa da Operação Arca de Noé em dois dias de ação para salvar as espécies nativas da morte pela lama em Colatina, no noroeste do Espírito Santo.

A informação é do presidente da Associação de Pescadores Amadores de Colatina (Apesc) Edson Negrelli. Os peixes tirados do rio estão sendo transferidos para as lagoas do Limão e Cobra Verde em tanques oxigenados de 1 mil litros de água.

De acordo com Negrelli pelo menos 200 famílias vivem da pesca em Colatina, onde existem comunidades pesqueiras como Maria Ortiz e Itapina.

“O importante é garantir o repovoamento do rio após a onda lama passar com matrizes genéticas já adaptadas. Elas serão repescadas nas lagoas e voltam para o rio assim que o perigo passar«, acentuou.

A força-tarefa colatinense foi criada por pescadores, técnicos de órgãos de governos e voluntários. Eles decidiram a não cruzar os braços ao ver o rastro de destruição provocado pelo tsunami de lama nas cidades mineiras onde atravessou.

Na tarde deste sábado, ao menos 50 em pescadores profissionais e esportivos em 30 barcos participaram da captura de peixes usando redes, tarrafas, puçás e armadilhas.

Já passam de 150 as espécies resgatadas do Rio Doce conforme avaliam o biólogo Marcos Vago, 42 anos que veio de Anchieta para ajudar no resgate da fauna aquática do manancial atingido pela lama de rejeitos que rompeu em Mariana (MG).

“Estão sendo salvas espécies que só existem no Rio Doce como o cascudo tigre e outras quase extintas como o peixe Oscar e o peixe agulha. É uma ação incrível que nunca vi na vida. Tanto que deixei minha casa para colaborar”, frisou o biólogo Marcos.

Apesar do esforço dos pescadores da Arca de Noé de Colatina a chance de sobrevivência longe do rio é de 50%, estima o biólogo Marcos Vago. “São ambientes diferentes que muitas espécies terão de enfrentar, em especial a cadeia alimentar. As lagoas são imensas, melhor do que morrer na lama”, frisou.

Carás, traíra, piau vermelho, cascudos, dourados, tucunaré e moréias e lagostas são a maiorias dos peixes retirados a beirada do Rio Doce em Colatina.

Por: Laili Campostrini Tardin