Produtores rurais do interior de Colatina sofrem com a seca no Noroeste do ES

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Produtores rurais do interior de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, estão sofrendo com o período de estiagem. A produtora Margareti Buzeti é uma das que perdeu produção com a seca. Em 15 dias, ela conseguia tirar 1 mil quilos de banana com muita facilidade, hoje, em quase um mês, consegue colher apenas metade.

Para tentar contornar o problema, ela explica que trocou parte da plantação por pepino e diversificou a produção com cultivo de quiabo. “Essas culturas consomem menos água e a gente pode molhar menos no dia. A produção é mais rápida”, afirmou.

Falta água para irrigar a propriedade, que fica no interior de Colatina e sempre dependeu do Rio Santa Joana. O rio também está sendo castigado pela falta de chuva.

O volume de água na barragem construída no leito está diminuindo e, abaixo dela, a água deu lugar às pedras e já nem corre mais. Em alguns trechos, ainda tem um pouco de água. Já em outros o rio está completamente seco, e o leito foi tomado pela areia. É possível caminhar por onde antes corria água.

No terreno do João Arauzo, a lavoura de café floresceu, mas com pouca água muitos botões sequer nasceram — e a próxima colheita já está comprometida. “Vai diminuir bastante a produção. Até agora, a média é de uns 30% de perda porque não tem como molhar mais”, lamentou.

Sem água, os pés de laranja ainda não deram flor, e a plantação de aipim vai ter que esperar a chuva. A água do rio não é mais suficiente, e acabou o dinheiro para terminar a barragem construída no local.

O produtor reclama da falta de apoio do governo com medidas para ajudar a enfrentar os tempos de seca — e sem outro recurso, o único jeito é esperar. “Não tem como fazer outra coisa, não tem como criar a chuva”, completou o produtor rural.

Outro lado

O presidente da Agência de Recursos Hídricos (AGERH), Fábio Ahnert, disse que o Noroeste do Espírito Santo é uma região que, naturalmente, recebe volume de chuva menor.

“Estamos vivendo um período de estiagem. Observamos que há tendência de queda dos valores de vazão dos rios dessa região. O Rio Santa Joana, por exemplo, tem um histórico de vazões caindo muito”, disse.

Ele pontua que o que a população de lá vive, pode estar relacionado a seca com recorrência de 70 anos — e que desde 2015 a região sofre com o reflexo da grande crise hídrica daquele ano.

“Estamos encontrando situação de bacias altamente degradadas, que têm uso de agricultura muito grande. Estamos trabalhando de forma intensa, estudando a Região Noroeste para implantar ações de curto a médio prazo”, declarou.

Fiscalização

A Agerh está fiscalizando e fazendo restrição de uso para os agricultores da região, porque a legislação obriga priorizar a água para abastecimento humano e animal.

“A ação é fiscalizadora, mas busca orientar os produtores para que a gente consiga conviver e atravessar esse período da melhor forma possível. Ações relacionadas a construções de reservatórios. Estamos no auge do período de estiagem, mas de setembro para outubro isso deve começar a enfraquecer”, concluiu Ahnert.

Fonte: g1