Empreendimentos criam uma “nova cidade” entre Barra de São Francisco/Mantena

2646

A demanda crescente por produtos e serviços que atendam à mudança no perfil populacional de Barra de São Francisco está levando ao surgimento de uma nova frente de crescimento e projetando uma “nova cidade”, mais dinâmica e moderna, ao longo do trecho de 6km da BR 381, entre a sede municipal e Bananal, na divisa com Minas Gerais.

Isso poderá resultar, até mesmo, na homologação do aeródromo de Mantena como aeroporto regional. Um novo empreendimento, por exemplo, está sendo erguido próximo às instalações da concessionária da Volkswagen, para instalação de atacarejo da rede Rondelli, que tem matriz em São Gabriel da Palha e grandes lojas em outros municípios do Norte do Estado e do Sul da Bahia.

O empreendimento está sendo feito pelo grupo Toledo, do empresário Maurício Toledo, um dos maiores produtores de rochas ornamentais da região Noroeste.

“É uma obra grande e moderna, que certamente proporcionará um novo centro comercial para Barra de São Francisco. O terreno em torno é do empresário Alair Costa, que também tem feito investimentos que impulsionam o município e, com certeza, vai atrair novos investimentos comerciais como satélites do supermercado, que atrai muito público”, comentou o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD), que acompanha o desenvolvimento regional e foi quem criou as primeiras áreas de expansão quando foi prefeito entre 1989 e1992.

NOVO POLO

De acordo com o jornalista e geógrafo José Caldas da Costa, que há três décadas acompanha o processo de desenvolvimento do Espírito Santo, especialmente das regiões Norte e Noroeste, está nascendo “uma nova cidade”. E complementou: “A tendência é que Mantena siga a mesma tendência e projete-se em direção à divisa estadual, o que nos permite prever que num futuro nem tão distante formarão as duas cidades um conglomerado urbano entre 150 mil e 200 mil habitantes”. Na avaliação do geógrafo formado pela Ufes, e pesquisador do desenvolvimento capixaba, o projeto que está sendo implementado pelo Grupo Petrocity vai provocar uma grande transformação no desenho geográfico das regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo, Leste de Minas, Vale do Jequitinhonha e Sul da Bahia.

“O projeto é ousado, pois prevê a construção de um mega complexo logístico a partir do Centro Portuário de São Mateus, em Urussuquara, e aumentando seu impacto com o projeto da nova ferrovia Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo. A localização da Unidade de Transbordo e Armazenagem de Cargas em Barra de São Francisco vai causar forte impacto econômico e social, contribuindo para essa nova cidade que está surgindo dos dois lados”, disse José Caldas.

A perspectiva desse impacto foi confirmada pelo presidente da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva, que tem feito seguidas viagens a Brasília para implementar o projeto da ferrovia, que ligará São Mateus a Sete Lagoas (MG), numa extensão de 550km.

“O início das obras do porto está dependendo apenas da licença ambiental, que é a última. Em Brasília, já está tudo autorizado. Já entramos, inclusive, com o pedido de licença de construção na Prefeitura de São Mateus”.

As lideranças do Norte e Noroeste do Estado precisam estar sintonizadas com esses projetos, de acordo com os analistas ouvidos pelo GAZETA DO NORTE, “trabalhando pela integração Norte, com uma ligação mais direta entre Barra de São Francisco, Nova Venécia e São Mateus, permitindo maior interação econômica, social e cultural, criando-se o corredor Norte. O Porto e a Ferrovia são estratégicos, mas deve haver um novo corredor rodoviário moderno, talvez a BR 381”.